Advogados do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) apresentaram nesta sexta-feira (21) um
pedido de liberdade ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação foi protocolada em segredo de Justiça e encaminhada para análise do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF.
Preso na última quarta (19) em Brasília, Cunha foi
para Curitiba, onde deverá ficar detido por tempo indeterminado, por ordem do
juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato na
primeira instância da Justiça Federal.
O peemedebista é acusado de receber propina de
contrato de exploração de petróleo no Benin, na África, e de usar contas na
Suíça para lavar o dinheiro.
No pedido de liberdade, a defesa argumenta que, ao
analisar um pedido de afastamento de Cunha de seu mandato, em maio deste ano, o
Supremo descartou sua prisão, que também havia sido solicitada pelo
procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Assim, Moro teria descumprido uma decisão do STF, ao determinar a prisão
preventiva. No decreto de prisão, o juiz federal argumentou que o Supremo só
não prendeu Cunha pelo fato de a medida necessitar de autorização prévia do
Congresso.
A defesa também argumenta que, na época, os
ministros do STF já tinham conhecimento de que Cunha tinha um passaporte
italiano e recursos no exterior. Mesmo assim, diz a defesa, a Corte não julgou
necessária a prisão.
Na peça, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro
Ivo Velloso ainda apresentam um quadro em que rebatem todos os motivos listados
por Moro para decretar a prisão. A defesa sustenta que eles já foram analisados
pelo STF, mas considerados insuficientes para levar a uma prisão preventiva.
Entre os pontos, estão acusações contra Cunha em outros inquéritos da Lava
Jato, bem como condutas do ex-deputado enquanto parlamentar.