Começa nesta segunda-feira
(19) uma campanha nacional de "multivacinação" que incluirá, pela
primeira vez, todas as vacinas disponíveis pelo SUS para crianças de até 5 anos
e para crianças e adolescentes entre 9 e 15 anos incompletos, incluindo a
imunização contra HPV para meninas. O esforço de vacinação vai até o dia 30 de
setembro.
As doses já estão normalmente
disponíveis de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS), em qualquer
posto. O objetivo principal da campanha é estimular que os pais levem os filhos
para por em dia a carteira de vacinação.
Segundo Ana Goretti Kalumi, do Programa Nacional de Imunização do Ministério da
Saúde, a cobertura vacinal dos adolescentes no Brasil ainda não é adequada, por
isso a campanha incluiu essa faixa etária. “Os adolescentes são um público que,
diferentemente das crianças pequenas que são levadas pelas mães às unidades de
saúde, são muito resistentes a buscar serviços de saúde”, disse a especialista
em coletiva de imprensa.
A vacinação contra pólio
ocorre normalmente no mês de agosto. Este ano, porém, ela foi adiada, segundo o Ministério da
Saúde, devido à Olimpíada no Rio, que poderia diminuir a adesão.
Contra pólio, devem ser
vacinadas crianças entre 6 meses e 5 anos de idade que ainda não tenham
completado o esquema vacinal, que consiste em três doses da vacina injetável e
mais duas doses de reforço em versão ora, a gotinha.
Este ano, o calendário de vacinações teve mudanças no esquema vacinal
contra HPV, pólio, meningite e pneumonia. As alterações foram
anunciadas em janeiro.
O vídeo da campanha inclui, além do Zé Gotinha, os
personagens da “Carreta Furacão”, trenzinho de Ribeirão Preto-SP
que faz sucesso na internet.
Vacinar adolescentes é desafio
Segundo a médica Mônica Levi, presidente da Comissão Técnica para revisão dos
calendários vacinais e consensos da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm),
a cobertura vacinal de crianças mais velhas e adolescentes ainda é um desafio a
ser superado. “Temos um programa nacional de vacinação de muito sucesso, mas
algumas vacinas do adolescente acabam esquecidas”, diz.
Um dos casos de baixa adesão
é a vacina contra HPV para meninas, que tem o objetivo de prevenir câncer de
colo de útero. Mônica lembra que a vacinação contra HPV teve sucesso na
aplicação da primeira dose, mas informações divulgadas erroneamente sobre
supostos efeitos colaterais da vacina, que posteriormente foram descartados,
prejudicaram a campanha.
Quando entrou no programa
nacional de imunizações, a vacina contra HPV chegou a ter 92,3% de adesão,
entre 2014 e 2015. Porém, até março deste ano, apenas 69,5% das meninas de 9 a
11 anos tinham tomado a primeira dose da vacina. Quanto à segunda dose, a
adesão foi ainda pior: só 43,73% do público-alvo foi atingido.
Veja mudanças na vacinação
ocorridas este ano:
HPV
Como era: 2 doses para meninas de 9 a 13 anos com intervalo de 6 meses; 3ª dose
5 anos depois.Como fica: 2 doses com intervalo de 6 meses para meninas de 9 a
13 anos.
Poliomielite
Como era: injeção aos 2 e 4 meses e gotinha aos 6 meses. 2 doses de reforço aos
15 meses e aos 4 anos (ambas de gotinha).
Como fica: muda somente que a 3ª dose passa ser a injetável.
Pneumonia
Como era: 3 doses (2, 4 e 6 meses de idade) e reforço entre 12 e 15
meses.
Como fica: 2 doses - aos 2 e 4 meses e um reforço aos 12 meses.
Meningite
Como era: 2 doses, aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 15 meses.
Como fica:2 doses, aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses.