O governador do Ceará, Camilo Santana, apresentou
nesta quinta-feira (19) o prognóstico de pouca chuva para o Ceará e o Nordeste
brasileiro em 2016 e fez o pedido de recursos federais para amenizar os efeitos
da estiagem na região, que enfrenta quatro anos seguidos de pouca chuva.
Segundo Camilo Santana, o Governo Federal anunciou que irá liberar novos
financiamentos para obras na região, que serão utilizados para a instalação de
dessalinizadores (equipamento para retirar excesso de sal da água e torná-la potável),
construção de adutoras de montagem rápida e a perfuração de poços nas regiões
mais afetadas pela estiagem, além do reforço na Operação Carro-Pipa nas zonas
urbanas.
Além de Camilo, estiveram presentes governadores de
mais cinco estados do Nordeste (Pernambuco, Piauí, Paraíba, Bahia e Rio Grande
do Norte) e os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, e da Integração,
Gilberto Occhi.
"Estamos na expectativa de que em 2016 também
poderemos enfrentar dificuldades. Os estados vão ter a responsabilidade de, até
o final do mês, apresentar para o Governo Federal um plano de trabalho para
ações emergenciais. Enfrentar mais um ano consecutivo de seca vai exigir muita
articulação e união de municípios, estados e o Governo Federal", relatou o
governador Camilo Santana, após o encontro fechado com Dilma Rousseff.
Ainda segundo o governador do Ceará, Dilma Rousseff
reforçou a promessa de concluir as obras de transposição das águas do Rio São
Francisco para cidades do Nordeste. "A perspectiva é de que em agosto do
ano que vem as águas cheguem a Jati [no Sul do Ceará], o que vai garantir um
melhor abastecimento do Castanhão [na Grande Fortaleza] e automaticamente a
distribuição dessa água em boa parte do estado", afirmou Camilo.
Açudes com
pouca água
Atualmente, os 128 açudes no Ceará monitorados pela Companhia de Gerenciamento
de Recurso Hídricos (Cogerh) têm média de 13,6% da capacidade total de
armazenamento. De acordo com o boletim hidrográfico da Cogerh, todos os açudes
monitorados pela Companhia estão com volume abaixo de 30%. A situação mais
preocupante, de acordo com o boletim hidrológico da Cogerh, é a da bacia
do Baixo Jaguaribe, onde a reserva hídrica está em apenas 0,88% da capacidade
de armazenamento.
A probabilidade de ocorrer um grande volume de
chuva em 2016 no Ceará continua baixa, segundo previsão parcial da Fundação
Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Dados preliminares
mostram forte tendência de atuação do El Niño (aquecimento anômalo no Oceano
Pacífico Equatorial) no início do próximo ano. Se a quadra chuvosa de 2016 não
tiver regularidade nas precipitações, o Ceará corre o risco de ter o ciclo mais
severo de seca da história, superando os difíceis períodos de 1951-1954 e
1979-1983, anos marcados por estiagem prolongada.