O Senado aprovou
admissibilidade
do processo de impeachment da
presidente Dilma Rousseff. A decisão permite ao Senado dar seguimento ao
processo contra Dilma. Ela será afastada do cargo por até 180 dias, período em
que um novo parecer será elaborado, debatido e votado. Nesse período, o vice Michel Temerassumirá a presidência do país até o encerramento
do processo.
Para ser afastada do cargo, Dilma deverá ser notificada pelo
primeiro-secretário da Mesa do Senado, Vicentinho Alves (PR-TO), o que deverá
ocorrer nesta quinta-feira, 12. Em seguida, Temer também será comunicado de que
assumirá a presidência.
O Palácio do Planalto prepara uma cerimônia no gabinete presidencial, no
terceiro andar do prédio, onde Dilma receberá o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, ministros, autoridades e personalidades aliadas para assinar a
notificação. Dilma fará também uma declaração à imprensa e um vídeo gravado
será distribuído nas redes sociais. Dilma seguirá, de carro, até o Palácio da
Alvorada, residência oficial da Presidência da República, a poucos quilômetros
do Planalto, onde vai permanecer durante os 180 dias em que deve ficar
afastada.
Comissão
Especial
Com a aprovação dos senadores, o processo volta para a Comissão Especial do
Impeachment, instalada para debater o processo no Senado. A comissão começará a
fase de instrução, coletando provas e ouvindo testemunhas de defesa e acusação.
O objetivo é apurar se a presidenta cometeu crime de responsabilidade ao editar
decretos com créditos suplementares mesmo após enviar ao Congresso Nacional um
projeto de lei para revisão da meta fiscal, alterando a previsão de superávit
para déficit. A comissão também irá investigar se o fato de o governo não ter
repassado aos bancos públicos, dentro do prazo previsto, os recursos referentes
ao pagamento de programas sociais, com a cobrança de juros por parte das
instituições financeiras, caracteriza uma operação de crédito. Em caso
positivo, isso também é considerado crime de responsabilidade com punição de
perda de mandato.
Um novo parecer é elaborado em prazo de 10 dias pela comissão especial. O novo
parecer é votado na comissão e, mais uma vez, independentemente do resultado,
segue para plenário.
A comissão continuará sob comando do senador Raimundo Lira (PMDB-PB) e a
relatoria com Antonio Anastasia (PSDB-MG).
Embora o Senado não tenha prazo para concluir a instrução processual e julgar
em definitivo a presidenta, os membros da comissão pretendem retomar os
trabalhos em breve. A expectativa de Lira é que até sexta-feira, 13, um rito da
nova fase esteja definido, com um cronograma para os próximos passos.
Ele não sabe ainda se os senadores vão se reunir de segunda a sexta-feira, ou
em dias específicos e nem se vão incluir na análise do processo outros fatos
além dos que foram colocados na denúncia aceita pelo presidente da Câmara dos
Deputados. A votação dos requerimentos para oitiva de testemunhas e juntada de
documentos aos autos deve começar na próxima semana.
Presidente
do STF
Nesta nova etapa, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo
Lewandowski, passa a ser o presidente do processo, sendo também a última instância
de recursos na Comissão Processante. “O processo volta para a comissão, sendo
que a instância máxima será o presidente do STF. Se houver alguma questão de
ordem que eu indeferir, o recurso será apresentado a ele. Ele passa a ser o
presidente do julgamento do impeachment”, explicou o presidente da comissão
especial, senador Raimundo Lira (PMDB-PB).
Defesa
A presidente poderá apresentar defesa em até 20 dias. A comissão especial pode
interrogar a presidenta, que pode não comparecer ou não responder às perguntas
formuladas.
Intervenção
Há a possibilidade de intervenção processual dos denunciantes e do denunciado.
Ao fim, defesa e acusação têm prazo de 15 dias para alegações finais escritas.
Segunda
votação em plenário
Depois que a comissão votar o novo parecer, o documento é lido em plenário,
publicado no Diário do Senado e, em 48 horas, incluído na ordem do dia e votado
pelos senadores. Para iniciar a sessão, são necessários mais da metade dos
senadores (41 de 81). Para aprovação, o quórum mínimo é de mais da metade dos
presentes.
Se o parecer é rejeitado, o processo é arquivado e a presidenta Dilma Rousseff
reassume o cargo. Se o parecer é aprovado, o julgamento final é marcado.
Recursos
A presidente da República e os denunciantes são notificados da decisão
(rejeição ou aprovação). Cabe recurso para o presidente do Supremo Tribunal
Federal contra deliberações da Comissão Especial em qualquer fase do
procedimento.
Decisão
final
Na votação final no Senado, os parlamentares votam sim ou não ao questionamento
do presidente do STF, que perguntará se Dilma Rousseff cometeu crime de
responsabilidade no exercício do mandato.
As partes poderão comparecer pessoalmente ou por intermédio de seus
procuradores à votação. Para iniciar a sessão é necessário quórum de 41 dos 81
senadores. Para aprovar o impeachment é preciso maioria qualificada (dois
terços dos senadores), o que equivale a 54 dos 81 possíveis votos.
Se for absolvida, Dilma Rousseff volta ao cargo e dá continuidade à sua gestão.
Se for condenada, Dilma é destituída e fica inabilitada de exercer função
pública por oito anos. Michel Temer, então, assume a presidência do país até o
final do mandato, em dezembro de 2017.