Em Fortaleza, um homem foi preso temporariamente
por suspeita de ser o responsável pelo desaparecimento de sua
ex-companheira, Iraci Alves de Lima, 29. A mulher, que tem
quatro filhos, saiu de casa no último dia 5 para encontrar o homem, pai da
filha mais nova, de 1 ano e 8 meses. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de
Fortaleza abriu inquérito policial para investigação. O suspeito foi detido na
segunda-feira (18) em cumprimento a um mandado de prisão temporária. As
crianças estão com a avó e sentem falta da mãe.
Segundo a delegada Renna Moura, titular da DDM, o suspeito nega a autoria do
crime, mas entrou em contradições durante o depoimento. "As investigações
estão bastante avançadas, mas a gente ainda não conseguiu localizar o corpo da
vítima, se está viva ou morta. Estamos trabalhando na possibilidade de ela
estar em cárcere privado", disse a delegada.
A delegada acrescentou que, caso seja necessário,
pode pedir a conversão da prisão dele de temporária para preventiva. "Ele
já praticava violência doméstica contra ela. Infelizmente já trabalhamos com a
possibilidade de não estar mais viva. Ela é uma mãe zelosa, jamais
desapareceria todos esses dias sem dar nenhum tipo de notícia para a família e
os filhos", disse Renna.
Sumiço
Há duas semanas, Iraci saiu de casa, no Bairro Barroso, de acordo com
depoimentos de familiares, para encontrar com o ex-companheiro e receber uma
quantia em dinheiro para a compra de medicamentos para a filha do casal, que
está doente, mas não voltou para casa nem se comunicou. O homem se tornou o
principal suspeito do desaparecimento da vítima.
A família registrou um Boletim de Ocorrência sobre
o sumiço no 30º Distrito Policial e procurou a DDM, que tomou conhecimento do
fato no último dia 7. O homem, que não possuía antecedentes criminais, foi
ouvido na especializada no dia seguinte. O suspeito disse ter encontrado com
Iraci e que, no dia do desaparecimento dela, os dois foram para um motel e,
após saírem do estabelecimento, ele alega não tê-la mais visto. A moto e o
capacete do infrator foram apreendidos para serem submetidos à perícia.
De acordo com a delegada, a versão do preso não foi confirmada durante as
investigações. Após ser ouvido na delegacia, ele teria fugido, vindo a se
apresentar à autoridade policial após receber notificação.
O homem nega as acusações, mas segundo os familiares de Iraci, ele a agredia
quando estavam juntos. Os levantamentos policiais apontam ainda que ele invadiu
a casa dela e pegou o celular um dia antes de encontrá-la. A Polícia apura um
possível crime de sequestro ou feminicídio.
Sem
contato com a família
Mãe de quatro filhos, Iraci está desaparecida há duas semanas. De acordo com o
filho mais velho, de 10 anos, em 5 de abril a mãe recebeu uma ligação do
ex-companheiro e saiu para encontrá-lo. Foi a última vez que Iraci foi vista.
"O pai da menina ligou para ela dizendo para
ir pegar a pensão, mas que não levasse nenhum menino. A mãe saiu, e os bichinhos
ficaram em casa", conta a mãe da jovem, Liduína Alves da Silva. Ela era
contra o relacionamento da filha com o ex-companheiro, que considera violento.
A suspeita dos familiares de Iraci é de que o ex-companheiro, inconformado com
o fim do relacionamento, tenha matado a filha. "Não tenho mais esperança.
Eu digo que ela não está mais viva, porque o que ele fazia com ela.... Eu sinto
que ela não está viva, não", diz. A única notícia recebida pela família
foi a de um telefonema feito a uma amiga da jovem. Na ligação, um homem que não
se identificou dizia para que não se preocupassem, pois Iraci estava bem. Dito
isso, desligou.
A família se diz desesperada e os filhos sofrendo com a falta da mãe.
"Estou com muita saudade, de quando ela me beijava... quando eu chegava do
colégio e eu conversava com ela", lembra o filho mais velho, de 10 anos.
Outro filho lembra com carinho do cuidado que a mãe tinha com eles. "Ela
comprava R$ 2 de pão, aí não sobrava pra ela. A gente comia e eu deixava um
pedaço para ela comer, para se alimentar".
A avó não sabe mais o que fazer para consolar as crianças. “Quando eu
fecho as portas de noite, eles ficam atrás de mim: eu que a minha mãe, eu quero
a minha mãe”. Outro filho resume o sentimento da família: "dor".