As chuvas que devem ocorrer entre os meses de
fevereiro a maio de 2017 devem ser suficientes para recuperar, em 45%, o nível
de armazenamento do Castanhão, o maior açude do Ceará. A
previsão, divulgada nesta quinta-feira (15), é do meteorologista Alexandre
Nascimento, do Climatempo. Ele ressalta que, não só no Ceará, mas em grande
parte do Brasil, a chuva está demorando para começar.
"Eu acredito em um trimestre bastante úmido no
Ceará. Quer dizer, não vai ser um sexto ano ruim, vai ser muito bom. Mas um ano
não vai conseguir apagar todos os efeitos negativos dos últimos tempos. De
qualquer forma, vamos sair dessa condição extremamente seca desses últimos
anos", afirma. “Acredito que [as chuvas] não sejam suficientes para
recompor de vez os reservatórios, que estão abaixo da normalidade, mas já
começa a sair do abismo hidrológico que entrou nos últimos anos", diz.
O principal reservatório do Estado, o açude
Castanhão, que abastece a Grande Fortaleza,
chegou ao pior nível desde que foi construído: 5,17%, o que representa 346,6
milhões de metros cúbicos. O Castanhão não chega a este nível desde 2004,
quando 5,5 bilhões de metros cúbicos, dos 6,7 bilhões de capacidade máxima,
foram armazenados em apenas 40 dias.
A Barragem do Castanhão é o principal complexo
hídrico, responsável pelo abastecimento humano de Fortaleza e sua Região
Metropolitana. Cerca de 3,8 milhões de pessoas dependem das águas do Castanhão.
Em 2016, as chuvas no primeiro semestre ficaram 25% abaixo da média histórica
no Ceará, de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos
(Funceme).
Estação
chuvosa
De acordo com o meteorologista Alexandre Nascimento, as condições presentes no
oceano Pacífico equatorial seguem apontando para uma boa estação chuvosa em
2017 no Ceará e no Nordeste, com chuvas na média ou até acima dela.
"Apesar de a chuva estar demorando para começar, a expectativa é de que
chova bem mais que nos últimos anos”, diz.
"A condição para que ocorram chuvas acima da
média histórica é infinitamente melhor que a dos últimos anos. Nós já vínhamos
com chuvas irregulares desde 2012. No último ano, com o super El Niño que se
formou, foi o último prego para fechar o caixão. Para o próximo ano, mesmo que
a La Niña não se forme – oficialmente, [existe] uma condição mais fria do que o
normal no Pacífico equatorial, que se desenha favorável ao Nordeste."
O El Niño é o aquecimento anormal do oceano
Pacífico equatorial que provoca mudanças na circulação da atmosfera, causando
fenômeno como secas e enchentes em várias partes do globo. O La Niña, por sua
vez, é o oposto. O fenômeno é responsável pelo esfriamento das águas do
oceano Pacífico e, como consequência, as águas do Atlântico sofrem um
aquecimento para que haja um equilíbrio na temperatura atmosférica.
Períodos
de chuva
O período de chuvas, no Ceará, pode ser dividido em três fases - pré-estação,
estação e pós-estação – e se estendem de dezembro a meados de junho. As chuvas
que ocorrem em dezembro e janeiro, chamadas de chuvas de pré-estação, são
causadas basicamente por frentes frias que vem do Sul, o que acaba afetando a
atmosfera do Nordeste.
O segundo momento das chuvas é aquele que vai mais
ou menos de fevereiro a maio. Essa estação de chuva é causada por um sistema
chamado de Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), é o sistema meteorológico
mais importante na determinação de quão abundante ou deficiente serão as chuvas
no Norte do Nordeste do Brasil.
A ZCIT se forma pelo encontro dos ventos
úmidos do hemisfério sul e do hemisfério norte e age sobre o Norte e Nordeste
durante o verão e o outono. A convergência dos ventos faz com que o ar, quente
e úmido ascenda, carregando umidade do oceano para os altos níveis da atmosfera
ocorrendo a formação das nuvens.
Reservatórios
Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), dos 153 açudes do
Ceará 134 estão com volume abaixo de 30%, 104 reservatórios estão com volume
abaixo de 10% e 48 estão secos.
Quarenta e cinco alcançaram o chamado volume morto,
ou seja, atingiram a reserva de água reserva de água mais profunda da represa,
que fica abaixo dos canos de captação. Juntando o volume das 12 bacias que
abastecem o estado do Ceará, o volume de água armazenado no estado está em
6,9%.