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Elas em perspectiva: mulheres protagonizam debates e ações na XIII Bienal do Livro do Ceará

Em diferentes ambientes, nomes locais, nacionais e internacionais amplificam vozes sobre o universo feminino em letras e projetos

Vozes, muitas vozes. E não importa se distantes geograficamente ou por outras instâncias. Há algo que as conecta e colocam em sintonia: o desejo uno de pensar sobre como juntas podem ir mais além. Na política, na sociedade e nas relações interpessoais. No mercado editorial, na arte. É o eco de Marielle Franco, de Rupi Kaur e Carolina Maria de Jesus. São as linhas de Conceição Evaristo, Maria Valéria Rezende e Angela Gutiérrez. Várias, tantas.

É também o pensar inspirado e necessário de Maria Oliveira e das outras integrantes do Coletivo Feminista Severinas. Em número de 10, elas realizam saraus, rodas de conversa, palestras, oficinas, intervenções, entre outras atividades no Sertão Central cearense. As ações são capitaneadas por todas, embora cada uma tenha afinidade em áreas diversas, como teatro, música e literatura. O que importa é refletir sobre mulheres.

“Nossas discussões giram em torno do papel da mulher na sociedade e como podemos desconstruir papéis demarcados há tanto tempo. Os desafios começam com o preconceito inicial do texto já ser de autoria feminina. Há muita gente que ainda tem a ideia fixa de que mulheres escrevem somente para mulheres e coisas de mulheres, limitando muito o seu próprio acesso ao conhecimento”, situa Maria, especificando um recorte próprio da temática, dedicado, neste caso, às letras.

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Maria Oliveira, do Coletivo Feminista Severinas, afirma: "Muitas mulheres precisam ser lidas"Foto: Viktor Braga

Foco

O destaque recai sobre o assunto sobretudo porque, nestes dias, o Ceará talvez esteja vivendo o melhor momento para fazer ecoar tais perspectivas entre a população. Até o dia 25 de agosto, a XIII Bienal Internacional do Livro, enquanto espaço de fruição para o pensamento humano a partir do contato com as palavras, dimensiona novo fôlego para pautas de sempre, sobretudo aquelas intrínsecas ao feminino.

No caso do Coletivo Feminista Severinas, elas participarão de bate-papo intitulado “Um útero é do tamanho de um punho”, juntamente a Mayara Albuquerque, Gisele (Kinaya Black) e Kah Dantas, na segunda-feira (19), às 16h, no Mezanino 2 do Centro de Eventos do Ceará. A ação integra o eixo Letras de Mulher, sob coordenação de Vânia Vasconcelos, o qual reserva outros momentos semelhantes ao público entre os dias 19 e 23.

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Conceição Evaristo, Rupi Kaur, Marielle Franco, e outras mulheres de luta são inspiraçãoFoto: Viktor Braga

Além dele, outros ambientes na Bienal serão protagonizados por elas, caso do Festival de Ilustração do Ceará, com a mesa “Mulheres feministas ilustradoras”, no dia 24 de agosto; da Praça do Cordel, com a mesa “A mulher cordelista no Brasil”, no dia 23; e do eixo Literatura Juventude Periferia, que também no dia 23, promoverá o Sarau Mulheres do Mundo, no Mezanino 2.

Esta última atividade, vale mencionar, foi realizada no último dia 27 de julho em Quixeramobim, durante a primeira edição da Mostra Sesc de Culturas Sertão Central. Na ocasião, vários coletivos de mulheres se reuniram para, com microfone aberto, bradar palavras de força e inspiração às outras.

“Existe uma frase que diz ‘as mulheres são como as águas, crescem quando estão juntas’. E, nesse cenário atual, precisamos nos unir para reagir aos desmontes diários que estão acontecendo com esse governo”, destaca Maria Oliveira. “Nosso posicionamento, assim, é por meio da ação. Somos um grupo de mulheres que vemos a educação como principal meio para o empoderamento e combate ao sistema patriarcal, racista, sexista e homofóbico existente”.

Potência

A escritora Anna K Lima também participou do Sarau Mulheres do Mundo e vai estar na Bienal realizando semelhante movimento. Na terça-feira (20), às 16h, estará com Juliana Borges e Valéria Rezende no bate-papo “Mulher é desdobrável: eu sou”, com mediação de Vânia Vasconcelos.

“Acredito que discutiremos questões pertinentes às mais variadas possibilidades de as mulheres terem de 'se virar' diante da vida, desde os fatos mais cotidianos à complexidade. Vejo a mulher desdobrável como uma espécie de folha de papel, nunca em branco, mas tal qual um origami, se ressignificando em várias”, explica.

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Escritora Anna K Lima participará, no evento, de série de atividades contemplando o feminino em amplas instânciasFoto: Viktor Braga

Para ela, no campo literário, isso significa dizer que a tal “literatura feminina” nunca se restringiu ao texto amoroso, doméstico e maternal, somente. “Escrevemos sobre tudo, absolutamente tudo”. A iniciativa que empreende junto a outras mulheres prova isso. 

Aliás Editora é um coletivo editorial que produz livros, zines e novos suportes para apreciação do público às linhas escritas a partir da perspectiva feminina, e somente dela. Na Bienal, capitaneará diversidade de ações, entre elas participação na mesa “Publicação de autor@s negr@s, indígenas e de mulheres do Brasil”, no dia 18, e bate-papo “[Des]enquadradas: narrativas e quadrinhos feitos por mulheres”, dia 24.

“Minha expectativa é que mais e mais mulheres nos encontrem e se encontrem e desejem se lançar no mundo!”, torce Anna K Lima, ansiosa para o que vem pela frente. 

Serviço
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
De 16 a 25 de agosto, das 10h às 22h, no Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz). Gratuito. Programação completa no site do evento

>> Veja alguns títulos que serão lançados durante a Bienal Internacional do Livro do Ceará

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17 de AGO de 2019 às 09:03:20
Fonte: Diário do Nordeste
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Vozes, muitas vozes. E não importa se distantes geograficamente ou por outras instâncias. Há algo que as conecta e colocam em sintonia: o desejo uno de pensar sobre como juntas podem ir mais além. Na política, na sociedade e nas relações interpessoais. No mercado editorial, na arte. É o eco de Marielle Franco, de Rupi Kaur e Carolina Maria de Jesus. São as linhas de Conceição Evaristo, Maria Valéria Rezende e Angela Gutiérrez. Várias, tantas.

É também o pensar inspirado e necessário de Maria Oliveira e das outras integrantes do Coletivo Feminista Severinas. Em número de 10, elas realizam saraus, rodas de conversa, palestras, oficinas, intervenções, entre outras atividades no Sertão Central cearense. As ações são capitaneadas por todas, embora cada uma tenha afinidade em áreas diversas, como teatro, música e literatura. O que importa é refletir sobre mulheres.

“Nossas discussões giram em torno do papel da mulher na sociedade e como podemos desconstruir papéis demarcados há tanto tempo. Os desafios começam com o preconceito inicial do texto já ser de autoria feminina. Há muita gente que ainda tem a ideia fixa de que mulheres escrevem somente para mulheres e coisas de mulheres, limitando muito o seu próprio acesso ao conhecimento”, situa Maria, especificando um recorte próprio da temática, dedicado, neste caso, às letras.

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Maria Oliveira, do Coletivo Feminista Severinas, afirma: "Muitas mulheres precisam ser lidas"Foto: Viktor Braga

Foco

O destaque recai sobre o assunto sobretudo porque, nestes dias, o Ceará talvez esteja vivendo o melhor momento para fazer ecoar tais perspectivas entre a população. Até o dia 25 de agosto, a XIII Bienal Internacional do Livro, enquanto espaço de fruição para o pensamento humano a partir do contato com as palavras, dimensiona novo fôlego para pautas de sempre, sobretudo aquelas intrínsecas ao feminino.

No caso do Coletivo Feminista Severinas, elas participarão de bate-papo intitulado “Um útero é do tamanho de um punho”, juntamente a Mayara Albuquerque, Gisele (Kinaya Black) e Kah Dantas, na segunda-feira (19), às 16h, no Mezanino 2 do Centro de Eventos do Ceará. A ação integra o eixo Letras de Mulher, sob coordenação de Vânia Vasconcelos, o qual reserva outros momentos semelhantes ao público entre os dias 19 e 23.

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Conceição Evaristo, Rupi Kaur, Marielle Franco, e outras mulheres de luta são inspiraçãoFoto: Viktor Braga

Além dele, outros ambientes na Bienal serão protagonizados por elas, caso do Festival de Ilustração do Ceará, com a mesa “Mulheres feministas ilustradoras”, no dia 24 de agosto; da Praça do Cordel, com a mesa “A mulher cordelista no Brasil”, no dia 23; e do eixo Literatura Juventude Periferia, que também no dia 23, promoverá o Sarau Mulheres do Mundo, no Mezanino 2.

Esta última atividade, vale mencionar, foi realizada no último dia 27 de julho em Quixeramobim, durante a primeira edição da Mostra Sesc de Culturas Sertão Central. Na ocasião, vários coletivos de mulheres se reuniram para, com microfone aberto, bradar palavras de força e inspiração às outras.

“Existe uma frase que diz ‘as mulheres são como as águas, crescem quando estão juntas’. E, nesse cenário atual, precisamos nos unir para reagir aos desmontes diários que estão acontecendo com esse governo”, destaca Maria Oliveira. “Nosso posicionamento, assim, é por meio da ação. Somos um grupo de mulheres que vemos a educação como principal meio para o empoderamento e combate ao sistema patriarcal, racista, sexista e homofóbico existente”.

Potência

A escritora Anna K Lima também participou do Sarau Mulheres do Mundo e vai estar na Bienal realizando semelhante movimento. Na terça-feira (20), às 16h, estará com Juliana Borges e Valéria Rezende no bate-papo “Mulher é desdobrável: eu sou”, com mediação de Vânia Vasconcelos.

“Acredito que discutiremos questões pertinentes às mais variadas possibilidades de as mulheres terem de 'se virar' diante da vida, desde os fatos mais cotidianos à complexidade. Vejo a mulher desdobrável como uma espécie de folha de papel, nunca em branco, mas tal qual um origami, se ressignificando em várias”, explica.

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Escritora Anna K Lima participará, no evento, de série de atividades contemplando o feminino em amplas instânciasFoto: Viktor Braga

Para ela, no campo literário, isso significa dizer que a tal “literatura feminina” nunca se restringiu ao texto amoroso, doméstico e maternal, somente. “Escrevemos sobre tudo, absolutamente tudo”. A iniciativa que empreende junto a outras mulheres prova isso. 

Aliás Editora é um coletivo editorial que produz livros, zines e novos suportes para apreciação do público às linhas escritas a partir da perspectiva feminina, e somente dela. Na Bienal, capitaneará diversidade de ações, entre elas participação na mesa “Publicação de autor@s negr@s, indígenas e de mulheres do Brasil”, no dia 18, e bate-papo “[Des]enquadradas: narrativas e quadrinhos feitos por mulheres”, dia 24.

“Minha expectativa é que mais e mais mulheres nos encontrem e se encontrem e desejem se lançar no mundo!”, torce Anna K Lima, ansiosa para o que vem pela frente. 

Serviço
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
De 16 a 25 de agosto, das 10h às 22h, no Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz). Gratuito. Programação completa no site do evento

>> Veja alguns títulos que serão lançados durante a Bienal Internacional do Livro do Ceará

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17 de AGO de 2019 às 09:03:20
Fonte: Diário do Nordeste