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Foi aceita ontem a
denúncia da força-tarefa da Operação Lava-Jato contra o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro no caso
do tríplex de Guarujá (SP).
Agora, Lula, a
ex-primeira-dama Marisa Letícia e outras seis pessoas se tornam réus e serão
julgados pelo juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato em
primeira instância. O ex-presidente responde a outra ação em Brasília, sob
acusação de atrapalhar as investigações do petrolão.
Cinco executivos da
empreiteira OAS (Léo Pinheiro, Agenor Franklin Medeiros, Paulo Gordilho, Fábio
Yonamine e Roberto Moreira Ferreira); e o presidente do Instituto Lula, Paulo
Okamotto, também se tornaram réus. Este último é acusado de ser responsável
pelo contrato de mudança do acervo de Lula, também pago pela OAS.
No despacho que
acatou a denúncia, muito criticada pela defesa, Moro afirmou que a aceitação
"não significa juízo conclusivo" quanto à culpa dos acusados, apesar
de poder provocar "celeumas". "Não olvida o julgador que, entre
os acusados, encontra-se ex-presidente, com o que a propositura da denúncia e o
seu recebimento podem dar azo a celeumas de toda a espécie", escreveu.
"Tais
celeumas, porém, ocorrem fora do processo. Dentro, o que se espera é
observância estrita do devido processo legal, independentemente do cargo
outrora ocupado pelo acusado".
Para o juiz, não
cabe agora um "exame aprofundado das provas", mas sim avaliar se as
acusações se sustentam em provas "razoáveis". Caso seja condenado por
Moro e também em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal (TRF), Lula
se tornará inelegível.
A depender do ritmo
da ação, isso pode ocorrer antes de 2018, o que sepultaria as chances de ele
ser candidato à Presidência da República. O Datafolha, em julho, mostrou o
petista líder em cenários de primeiro turno, com 22% de intenção de votos, mas
com taxa de rejeição de 46%.
Resposta
O ex-presidente
Lula disse que está "triste" com a aceitação da denúncia contra ele
apresentada pela Lava-Jato, mas disse que confia na Justiça e vai
"continuar lutando" para que o Brasil "conquiste a
democracia".
Por meio de uma
transmissão ao vivo na internet, o ex-presidente voltou a criticar a denúncia
apresentada na semana passada pelo Ministério Público Federal (MPF).
"Obviamente que eu estou triste porque fiquei sabendo agora que o juiz
Moro aceitou a denúncia contra mim, mesmo a denúncia sendo uma farsa, uma
grande mentira contada, um grande show de pirotecnia nesse país", disse o
ex-presidente. "De qualquer forma, como eu acredito na Justiça, tenho bons
advogados, vamos brigar para ver o que dá. A verdade é essa. Vamos continuar
lutando para que o Brasil conquiste a democracia e que o povo brasileiro volte
a ter orgulho de ser brasileiro porque nós somos brasileiros e não desistimos
nunca", complementou.
Segundo Lula,
"para alguém ser julgado de verdade e ser condenado ou absolvido precisa
ter certeza". Ele comentou a notícia, ao participar, por teleconferência,
do lançamento mundial de uma campanha chamada "Estamos com Lula". O
evento ocorreu em Nova York e teve apoio da Confederação Sindical
Internacional, que representa, segundo a assessoria do ex-presidente, 180
milhões sindicalizados de 162 países.
Por meio de nota, o
advogado do presidente do Instituto Lula alegou que não há lavagem de dinheiro
porque Lula, Okamoto e o órgão não se beneficiaram. O advogado Fernando
Fernandes disse que vai recorrer e que a denúncia "sem provas" não
poderia ter sido aceita.
Modus operandi
Lula foi apontado
pelo MPF como beneficiário direto de R$ 3,7 milhões, pagos pela OAS, que seriam
oriundos de desvios em contratos da Petrobras.
Segundo a acusação,
o dinheiro foi investido pela OAS na reforma do tríplex, que seria destinado ao
petista, e no transporte e armazenamento do acervo presidencial, após o término
do governo Lula.
Para Moro, os indícios
mostram que há um "modus operandi consistente" do petista em usar
terceiros para suposta ocultação de patrimônio.