Em meio a uma das secas mais longas
já registradas no Ceará, União e Estado travam disputa sobre a execução de
obras emergenciais contra a estiagem. O presidente em exercício Michel Temer
(PMDB) transferiu para o Departamento Nacional das Obras Contra as Secas
(Dnocs) a execução de várias das ações emergenciais em estados do Nordeste. A
decisão foi criticada pelo governador Camilo Santana (PT). Mas, até aliado de
Temer no Ceará protestou, caso do deputado federal Danilo Forte (PSB).
As obras afetadas são compartilhadas
entre Estado e União. Recebem verba federal, mas estavam sob administração
estadual. Agora, parte será transferida ao Dnocs.
De acordo com Francisco Teixeira,
secretário dos Recursos Hídricos do Ceará, a instalação de adutoras de montagem
rápida e o abastecimento à área urbana por carros-pipa serão as principais
ações afetadas. A construção de dez adutoras estava entre as medidas previstas
para receber parte dos R$ 790 milhões liberados pelo Governo Federal para ações
contra a seca no Nordeste. O repasse para as adutoras deve tomar R$ 42,7
milhões.
Camilo Santana reclamou da
transferência da gestão das obras para o Dnocs. “Achei que foi um erro do
Governo (Federal)”, disse o governador cearense. Camilo afirmou que a
preocupação é sobre a velocidade de execução dos projetos, diante da mudança de
gestão. “Se A, B ou C vai executar, o importante é que seja feito, porque as
pessoas estão passando sede”. Ele também afirma que a decisão contraria acordos
já assinados. “Independente do governo, compromissos precisam ser honrados”,
disse.
Preparo
para execução
Teixeira se preocupa com o andamento
dos trabalhos. “Entra agora novo ator que não está participando desse processo
e terá de voltar praticamente a zero”. O secretário manifestou “estranheza e
preocupação” com a transferência da gestão num cenário em que o Dnocs está
fragilizado. “A gente vinha inclusive ajudando no reparo da fissura do
Castanhão, que é de responsabilidade federal. Causou estranheza que, da noite
para o dia, eles estejam preparados para montar adutoras”.
O Ministério da Integração Nacional
informou, em nota, que só parte das adutoras de engate rápido terá execução
pelo Dnocs. “Boa parte das obras e programas emergenciais continuará sob
responsabilidade dos governos estaduais”. A pasta informa que convênios
assinados, que vêm em execução pelos estados, estão sendo honrados.
Adutoras
de montagem rápida previstas pelo Estado que passam ao Dnocs
Pereiro (R$ 10,4 milhões), São Luís
do Curu/Croatá (R$ 5,7 milhões), Tamboril (R$ 7,7 milhões), Iracema (R$ 6,9
milhões), Apuiarés (R$ 3 milhões), Ocara (R$ 1,6 milhão), São Luís do Aruaru
(R$ 809,5 mil), Triângulo de Chorozinho/Timbaúba (R$ 2,6 milhões),
Guassussê/Igarói (R$ 1,02 milhão) e Mineiro (R$ 2,5 milhões)