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Mantega é preso e logo depois liberado em SP

O ex-ministro da Fazenda ficou por quase cinco horas detido. Ele é acusado de negociar repasses ilegais ao PT

Uma nova fase da Lava-Jato, deflagrada ontem, prendeu -e, após cinco horas, soltou- o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, acusado de negociar repasses de recursos ilegais para o PT.

Mantega foi detido pela manhã, enquanto estava no hospital Albert Einstein, acompanhando sua mulher em uma cirurgia.

No fim da manhã, o juiz Sergio Moro resolveu revogar a prisão temporária dada a situação de saúde da mulher de Mantega, mas "sem embargo da gravidade dos fatos apurados".

Segundo despacho de Moro, após a libertação, Mantega provavelmente iria continuar acompanhando a mulher no hospital, e assim estariam esvaziados os riscos de interferência da colheita das provas nesse momento.

"Infelizmente, coincidências como essa são tristes. Mas não há como não se cumprir uma ordem judicial", afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima sobre a prisão na porta do hospital em São Paulo.

O ex-ministro foi apontado pelo empresário Eike Batista como responsável por pedir uma doação de R$ 5 milhões para o PT, a fim de pagar "dívidas de campanha". Para o Ministério Público, o pagamento, efetuado a uma empresa dos publicitários João Santana e Mônica Moura, caracteriza vantagem indevida.

Moro, na decisão que decretou a prisão de Mantega, afirmou que "não cabe (ao ministro da Fazenda) solicitar doações eleitorais ao partido do governo, ainda mais doações subreptícias". A reunião entre Eike e Mantega ocorreu fora do período eleitoral, em novembro de 2012, no gabinete do ministro -que, na época, também era presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Há registro da reunião na agenda oficial de Mantega. "Houve um pedido para que eu contribuísse para a campanha, para despesas, porque a campanha já tinha passado", afirmou Eike, em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), em maio. O empresário procurou a força-tarefa depois do vazamento, na imprensa, de suspeitas contra ele no esquema de corrupção na petrolão.

Outro lado

O advogado do ex-ministro Guido Mantega, José Roberto Batochio, disse ontem que seu cliente "jamais conversou com Eike Batista a respeito" dos fatos descritos pelos investigadores.

"Estamos sabendo desses fatos agora, eram absolutamente secretos", declarou. "A mim compete agora me inteirar". Batochio também criticou o fato de Mantega ter pedido de prisão expedido e Eike estar solto, já que o crime de corrupção pressupõe o corrompido e o corruptor.

Caráter humanitário

A força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba afirmou, por meio de sua assessoria, que concordou com a revogação da prisão temporária do ex-ministro Guido Mantega "em caráter humanitário".

   

23 de SET de 2016 às 07:21:19
Fonte: Diário do Nordeste
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Uma nova fase da Lava-Jato, deflagrada ontem, prendeu -e, após cinco horas, soltou- o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, acusado de negociar repasses de recursos ilegais para o PT.

Mantega foi detido pela manhã, enquanto estava no hospital Albert Einstein, acompanhando sua mulher em uma cirurgia.

No fim da manhã, o juiz Sergio Moro resolveu revogar a prisão temporária dada a situação de saúde da mulher de Mantega, mas "sem embargo da gravidade dos fatos apurados".

Segundo despacho de Moro, após a libertação, Mantega provavelmente iria continuar acompanhando a mulher no hospital, e assim estariam esvaziados os riscos de interferência da colheita das provas nesse momento.

"Infelizmente, coincidências como essa são tristes. Mas não há como não se cumprir uma ordem judicial", afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima sobre a prisão na porta do hospital em São Paulo.

O ex-ministro foi apontado pelo empresário Eike Batista como responsável por pedir uma doação de R$ 5 milhões para o PT, a fim de pagar "dívidas de campanha". Para o Ministério Público, o pagamento, efetuado a uma empresa dos publicitários João Santana e Mônica Moura, caracteriza vantagem indevida.

Moro, na decisão que decretou a prisão de Mantega, afirmou que "não cabe (ao ministro da Fazenda) solicitar doações eleitorais ao partido do governo, ainda mais doações subreptícias". A reunião entre Eike e Mantega ocorreu fora do período eleitoral, em novembro de 2012, no gabinete do ministro -que, na época, também era presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Há registro da reunião na agenda oficial de Mantega. "Houve um pedido para que eu contribuísse para a campanha, para despesas, porque a campanha já tinha passado", afirmou Eike, em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), em maio. O empresário procurou a força-tarefa depois do vazamento, na imprensa, de suspeitas contra ele no esquema de corrupção na petrolão.

Outro lado

O advogado do ex-ministro Guido Mantega, José Roberto Batochio, disse ontem que seu cliente "jamais conversou com Eike Batista a respeito" dos fatos descritos pelos investigadores.

"Estamos sabendo desses fatos agora, eram absolutamente secretos", declarou. "A mim compete agora me inteirar". Batochio também criticou o fato de Mantega ter pedido de prisão expedido e Eike estar solto, já que o crime de corrupção pressupõe o corrompido e o corruptor.

Caráter humanitário

A força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba afirmou, por meio de sua assessoria, que concordou com a revogação da prisão temporária do ex-ministro Guido Mantega "em caráter humanitário".

   

23 de SET de 2016 às 07:21:19
Fonte: Diário do Nordeste