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Setor público registra déficit de R$ 26,6 bi

O resultado diz respeito ao mês de setembro. No acumulado do ano, o déficit primário já chega a R$ 85,5 bilhões

Mesmo com o esforço do governo para segurar as despesas, o Brasil registrou em setembro um rombo fiscal recorde para o mês. Dados divulgados nessa segunda-feira (31) pelo Banco Central mostram que o setor público apresentou déficit primário (que exclui o pagamento de juros) de R$ 26,64 bilhões em setembro, o pior resultado desde o início da série histórica. No acumulado do ano, o déficit primário já chega a R$ 85,5 bilhões, equivalente a 1,86% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado reflete o desempenho conjunto do governo central (Tesouro, Previdência Social e Banco Central), Estados, municípios e estatais (sem Petrobras e Eletrobras). Novamente, foi o governo central o principal responsável pelo rombo, com déficit primário de R$ 26,50 bilhões. O que significa que as receitas estão longe de cobrir as despesas do governo.

Previdência

O rombo maior em setembro, de R$ 25,08 bilhões, foi registrado pela Previdência Social - justamente um ponto que o governo pretende atacar nos próximos meses, por meio de reforma a ser encaminhada ao Congresso Nacional. De janeiro a setembro, o déficit da Previdência chega a R$ 112,64 bilhões.

Nesse ambiente de arrecadação de impostos menor por parte do governo, em função da crise econômica e do desemprego, o rombo fiscal acaba aumentando. "O primário vem mantendo a trajetória de déficits, derivada da recessão econômica", disse o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha.

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, a rápida expansão dos gastos da Previdência, com a frustração de arrecadação causada pela atividade econômica mais fraca que o esperado no terceiro trimestre, explica boa parte do déficit em setembro.

Receitas menores

O economista Geraldo Biasoto Júnior, da Universidade Estadual de Campinas, coloca mais peso na queda das receitas. "O governo tem cortado despesas, mas, com a receita caindo, vamos depender de receitas extraordinárias, como a dos impostos sobre a repatriação", disse Biasoto. Até o fim de semana, a repatriação já havia rendido cerca de R$ 50 bilhões.

O governo federal trabalha com um déficit de R$ 163,9 bilhões para o setor público consolidado em 2016, sendo que o rombo do governo central seria de R$ 170,5 bilhões.

Juros

O pagamento de juros da dívida pública somou R$ 40,46 bilhões em setembro. No ano, já foram pagos R$ 388,50 bilhões em juros, mas poderia ser pior. Fernando Rocha lembrou que a posição da instituição em swaps cambiais - um tipo de contrato ligado ao câmbio - já gerou lucro de R$ 77,1 bilhões em 2016, até 21 de outubro, o que contribui para os gastos com juros serem menores. Em 2015, houve prejuízo de R$ 89,66 bilhões com os swaps.

Trajetória

A dívida do País segue em uma trajetória crescente. A dívida líquida do setor público atingiu o equivalente a 44,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês de setembro. Já a dívida bruta do governo geral - que reúne governos federal, estaduais e municipais - chegou a 70,7% do Produto Interno Bruto, maior patamar da história. Este é um dos principais itens que as agências internacionais de risco consideram ao avaliar o Brasil.

 

01 de NOV de 2016 às 10:01:39
Fonte: Diário do Nordeste
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Mesmo com o esforço do governo para segurar as despesas, o Brasil registrou em setembro um rombo fiscal recorde para o mês. Dados divulgados nessa segunda-feira (31) pelo Banco Central mostram que o setor público apresentou déficit primário (que exclui o pagamento de juros) de R$ 26,64 bilhões em setembro, o pior resultado desde o início da série histórica. No acumulado do ano, o déficit primário já chega a R$ 85,5 bilhões, equivalente a 1,86% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado reflete o desempenho conjunto do governo central (Tesouro, Previdência Social e Banco Central), Estados, municípios e estatais (sem Petrobras e Eletrobras). Novamente, foi o governo central o principal responsável pelo rombo, com déficit primário de R$ 26,50 bilhões. O que significa que as receitas estão longe de cobrir as despesas do governo.

Previdência

O rombo maior em setembro, de R$ 25,08 bilhões, foi registrado pela Previdência Social - justamente um ponto que o governo pretende atacar nos próximos meses, por meio de reforma a ser encaminhada ao Congresso Nacional. De janeiro a setembro, o déficit da Previdência chega a R$ 112,64 bilhões.

Nesse ambiente de arrecadação de impostos menor por parte do governo, em função da crise econômica e do desemprego, o rombo fiscal acaba aumentando. "O primário vem mantendo a trajetória de déficits, derivada da recessão econômica", disse o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha.

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, a rápida expansão dos gastos da Previdência, com a frustração de arrecadação causada pela atividade econômica mais fraca que o esperado no terceiro trimestre, explica boa parte do déficit em setembro.

Receitas menores

O economista Geraldo Biasoto Júnior, da Universidade Estadual de Campinas, coloca mais peso na queda das receitas. "O governo tem cortado despesas, mas, com a receita caindo, vamos depender de receitas extraordinárias, como a dos impostos sobre a repatriação", disse Biasoto. Até o fim de semana, a repatriação já havia rendido cerca de R$ 50 bilhões.

O governo federal trabalha com um déficit de R$ 163,9 bilhões para o setor público consolidado em 2016, sendo que o rombo do governo central seria de R$ 170,5 bilhões.

Juros

O pagamento de juros da dívida pública somou R$ 40,46 bilhões em setembro. No ano, já foram pagos R$ 388,50 bilhões em juros, mas poderia ser pior. Fernando Rocha lembrou que a posição da instituição em swaps cambiais - um tipo de contrato ligado ao câmbio - já gerou lucro de R$ 77,1 bilhões em 2016, até 21 de outubro, o que contribui para os gastos com juros serem menores. Em 2015, houve prejuízo de R$ 89,66 bilhões com os swaps.

Trajetória

A dívida do País segue em uma trajetória crescente. A dívida líquida do setor público atingiu o equivalente a 44,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês de setembro. Já a dívida bruta do governo geral - que reúne governos federal, estaduais e municipais - chegou a 70,7% do Produto Interno Bruto, maior patamar da história. Este é um dos principais itens que as agências internacionais de risco consideram ao avaliar o Brasil.

 

01 de NOV de 2016 às 10:01:39
Fonte: Diário do Nordeste