A crise migratória na Europa foi um dos temas de maior destaque na
mídia nos últimos meses. Fugindo da fome, das guerras e da pobreza, milhares de
pessoas vindas, principalmente, da África e do Oriente Médio, chegaram ao velho
continente em busca de asilo e da possibilidade de começar uma nova vida, longe
das mazelas que afetam sua terra natal.
Os imigrantes sírios,
por exemplo, entraram de forma massiva em países da Europa, tendo como principal
portão de acesso os litorais da Grécia e da Turquia. Para chegar ao destino, a
maioria arrisca a vida em travessias perigosas pelo mar mediterrâneo, a bordo
de botes infláveis e barcos clandestinos. Grande parte deles, infelizmente, não
sobrevive ao trajeto até a Europa, como é o caso do menino Aylan Kurdi, de 3
anos, que foi encontrado morto em uma praia da Turquia e virou símbolo da crise
dos refugiados.
Além dos países
europeus, os imigrantes sírios também viram no Brasil uma terra de novas
possibilidades. Segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), fomos o
país latino-americano que mais recebeu refugiados da Síria, no período de 2011
até agosto deste ano, contabilizando mais de 2.000 pessoas.
COMO
A CRISE DOS REFUGIADOS PODE CAIR NA REDAÇÃO DO ENEM
Tendo em vista esse
cenário alarmante, a professora de redação Gabriela de Araújo
Carvalho explica como a crise dos refugiados pode aparecer na prova de redação
do Exame
Nacional do Ensino Médio 2015 (Enem).
Segundo Gabriela
de Araújo, o Enem é uma prova que foca em questões relativas ao Brasil, o que
reduz as chances de um tema internacional. “Acho pouco provável que a prova
tenha uma amplitude global, de entender o que está acontecendo no mundo.
Acredito que a única forma seria falar, justamente, sobre os refugiados que
chegam ao Brasil”, aposta.
Para Gabriela, a
maneira mais assertiva de o aluno abordar o tema em seu texto é falando sobre o
que o país deveria fazer para receber bem esses imigrantes. Além disso, o
candidato deve apresentar formas de absorvê-los em nossa sociedade, dizendo
como oferecer boas condições de trabalho, moradia e alimentação.
Outra boa abordagem
para o assunto é desenvolver uma dissertativa enaltecendo pontos positivos do
país. Segundo a coordenadora do Poliedro, o aluno pode falar, por exemplo,
sobre como a origem miscigenada do nosso povo, que sempre recebeu muito bem os
imigrantes, facilita a adaptação dos refugiados e nos torna bons anfitriões.
Gabriela também
alerta sobre o que o aluno deve evitar na prova de redação, como discursos
xenófobos, que firam a dignidade das pessoas e os direitos humanos. “Mesmo que
o aluno seja contra a entrada dos refugiados no Brasil, para o Enem é muito
importante que ele apresente propostas para ajudá-los e sugira formas de
solucionar os problemas que cercam o tema”, completa.