O governador Camilo Santana apresentou, ontem, a portas fechadas
o Plano de Convivência com a Seca a diversas entidades do Ceará. De acordo com
pessoas que estiveram na reunião, o objetivo do Governo é economizar em 20% a
oferta de água do sistema integrado de abastecimento da Região Metropolitana de
Fortaleza (RMF). Dentre as principais ações destacadas para a economia, estão a
redução em 20% no abastecimento de água para as indústrias e o aumento da
tarifa de contingência, que demandará economia ainda maior dos consumidores.
Camilo anuncia hoje as informações para a imprensa.
Para garantir a segurança
hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza, o plano conta com dez diretrizes,
que devem receber um investimento de R$64,1 milhões com uma economia de 1.820
litros de água por segundo. O projeto não cita a possibilidade de racionamento
de água, apesar da afirmação do governador de que esta é a pior seca enfrentada
pelo Ceará, de acordo com fontes presentes na apresentação. Camilo Santana
também teria afirmado que a prioridade é evitar que o colapso chegue à
população, garantindo o abastecimento humano e que nenhum cearense passará
sede.
Uma das ações que afetará
diretamente o consumidor da RMF é o reajuste da tarifa de contingência. Agora,
será necessário reduzir em 20% o consumo de água nas residências, ou seja, a
ordem é para que se utilize até 80% da média consumida entre outubro de 2014 e
setembro de 2015. Aqueles que ultrapassarem a meta estabelecida deverá pagar um
valor de 120% sobre a tarifa normal.
Tarifa
Até então, a meta de diminuição
de uso da água era de 10%, com a cobrança de 110% da tarifa para os excedentes.
Contudo, desde que a medida foi implantada, em dezembro de 2015, o máximo de
redução no consumo obtido foi de 5,2%, no último mês de abril.
A redução de 20% no
abastecimento para as indústrias da RMF, também incluída no plano, tem como
meta priorizar o suprimento humano. Estima-se que haverá uma economia de 150
litros de água por segundo.
A Federação das Indústrias do
Estado do Ceará (Fiec), por meio da assessoria de imprensa, disse que não se
pronunciaria sobre tal ação até reunião da diretoria da entidade. Contudo,
reafirma que as discussões sobre o uso dos recursos hídricos são recorrentes,
apontando levantamento mostrando que a indústria utiliza 13% da água fornecida
pelo Estado, ante 23% do consumo pela população e 58% pelos setores
agropecuários. Disse ainda que, como a água é um insumo caro para a indústria,
ao mesmo tempo que é escasso para o Ceará, a Fiec acostumou-se a encontrar
soluções para induzir ao consumo estritamente necessário e tem se colocado
aberta às demandas apresentadas pelo Governo do Estado.
Outra medida colocada
especificamente para Fortaleza e municípios vizinhos contempla o reforço no
combate às perdas de água, por meio do qual equipes fardadas atuarão, a partir
de agosto, na procura por vazamentos e fraudes, fiscalizando lava-jatos,
lavanderias e marmorarias. Haverá um incremento de 96 equipes divididas entre
as duas ações, com benefício de 200 litros por segundo.
Enumeram-se 200 intervenções a
serem realizadas na construção, abertura de novos poços, limpeza e instalação
dos já existentes, além da análise de vazão e qualidade dos equipamentos. A
prioridade será de áreas com abastecimento crítico, a exemplo das mais elevadas
e que ficam nas pontas de rede, além de equipamentos públicos de saúde, de
educação e de segurança.
Até outubro, serão realizadas
perfurações de 42 poços no Cumbuco e Pecém, com vazão de 10 a 25 m³ por hora; o
aproveitamento do sistema hídrico do Cauípe, com benefício de 300 litros de
água por segundo; o aproveitamento do Açude Maranguapinho; e a instalação da
adutora de água tratada para reforço do abastecimento de Aquiraz.
Encontram-se entre as ações a
implantação do sistema de reúso da água de lavagem dos filtros do ETA Gavião,
assim como a instalação do sistema de captação pressurizada no Gavião. Será
implementada pelo Estado a campanha "Cada Gota Conta", para alertar a
população sobre uso consciente da água.