A polícia continua recebendo denúncias de pessoas
em Fortaleza que caíram no chamado "golpe do paciente na UTI", quando criminosos se passam por
médicos e ligam pedindo dinheiro para
a compra de medicamentos para familiares internados em hospitais da capital
cearense. De acordo com a Delegacia das Defraudações, só neste ano, sete casos
já foram registrados.
Uma mulher, que pediu para ter a identidade preservada, recebeu uma ligação de
um homem que se passava por médico, informando que uma parente da mulher havia
tido piora no estado de saúde e precisaria de uma cirurgia urgente. Para isso,
seria necessário depósito de R$ 1.500 na conta dele em um prazo de 20
minutos. "Fui no banco, saquei e depositei na mesma hora. Ele ficou ligando
a cada dez minutos. Sacou [o dinheiro] na [avenida] Gomes de Matos, no Montese,
na hora, não levou nem 5 minutos", lembra.
Segundo a vítima, o suposto médico era bastante
convincente. Ele sabia detalhes como o horário de visitas e o prontuário dos
pacientes. Só quando foi ao Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) para
conferir se a cirurgia havia mesmo sido feita, a mulher descobriu que caiu num
golpe.
O médico de plantão informou que a paciente não precisava de nenhuma cirurgia e
que outras pessoas tinham recebido ligações. A vítima relata que uma das
pessoas não caiu no golpe porque checou a informação quando estava chegando ao
hospital para uma visita. O HUWC esclarece que todos os serviços feitos pela
unidade são de graça e não há cobrança em nenhuma hipótese. Informou, ainda,
que a Polícia Federal já foi acionada pra investigar casos.
O titular da delegacia de defraudações, Jaime de Paula Pessoa, explica que o
"golpe da ligação premiada" não é feito somente por uma pessoa.
"Quando tem domínio da história, da conversa, qualquer golpista com boa lábia
pode aplicar golpe. Ele tem um mote, que atrai, pega a pessoa num momento de
fragilidade. A grande dificuldade que ele sente é de obter os dados daquela
pessoa que está na UTI ou está em hospital, e o nome do responsável pelo
paciente. De posse disso, se torna mais fácil obter sucesso", informou.
As investigações mostram que os golpistas são de outros estados, por isso a
polícia alerta que é preciso cuidado ao repassar informações por telefone para
desconhecidos. "Quando receber essa ligação, fazer o contato com o médico
que está assistindo o paciente ou o próprio hospital. Procurar antes de fazer
depósito, se certificar pra saber se a pessoa precisa sim da cirurgia e do
medicamento", orientou o delegado.
Denúncias
O contato da Delegacia de Defraudações é o telefone (85) 3101-7338. O hospital
universitário pede que quem receber ligações desse tipo pode entrar em contato
com a ouvidoria por meio do (85) 3366-8620, no e-mail ouvidoria@huwc.ufc.br, ou
pessoalmente na Rua Capitão Francisco Pedro, 1290, Bairro Rodolfo Teófilo.