O ministro da
Fazenda, Nelson Barbosa, apresentou nessa quarta-feira (23/03), a proposta de
nova meta fiscal para 2016. O esforço previsto para o governo central, que
reúne Tesouro, Banco Central e Previdência, passou de R$ 24 bilhões para
R$ 2,8 bilhões. Além disso, Barbosa apresentou a possibilidade de abater
da meta até R$ 120,65 bilhões. A meta dos Estados e municípios também
poderá sofrer abatimentos – de até R$ 6 bilhões – e, com isso, o déficit
máximo no setor público consolidado será de R$ 96,150 bilhões este ano.
“Achamos adequado
mudar a meta fiscal para o governo ajudar a economia a se estabilizar”,
disse o ministro. O projeto de lei ainda será enviado ao
Congresso. “As empresas não estão tendo os lucros que se esperava para
pagar seus impostos e as famílias também estão tendo redução de receitas e isso
gera impacto na arrecadação”, acrescentou Barbosa.
As contas
públicas do ano passado, que também fecharam no vermelho, foram
diretamente influenciadas pelo pagamento das chamadas “pedaladas fiscais”,
passivo devido pelo governo a bancos públicos, quitado a mando do Tribunal de
Contas da União (TCU). Os pagamentos custaram, ao longo de 2015, R$ 72,4
bilhões, sendo que R$ 55,8 bilhões foram desembolsados só em dezembro.
Entre as propostas
para abatimento, Barbosa anunciou que o governo quer aumentar a possibilidade
de frustração de receitas administradas de R$ 30,5 bilhões para R$ 40,3
bilhões. O projeto mantém a possibilidade de abatimento no caso das frustrações
de receitas não administradas em R$ 41,7 bilhões e mantém o pedido para os
gastos com saúde em R$ 3 bilhões e em R$ 9 bilhões os para investimentos em
andamento.
Barbosa incluiu no
projeto R$ 3,5 bilhões de gastos com defesa e o pagamento do Auxílio Financeiro
para Fomento das Exportações (FEX) para a regularização do fundo. Para esse
pagamento, o ministro está pedindo R$ 1,95 bilhão ao Congresso.
Com a queda da
atividade econômica e fraco desempenho da arrecadação, o governo anunciou, em
fevereiro, que enviaria uma proposta ao Congresso que possibilitaria um déficit
fiscal de R$ 60,2 bilhões para 2016. Na ocasião, Barbosa manteve a meta de R$
24 bilhões para a União, mas propôs que o governo pudesse abater frustrações de
receita e com operações com ativos, dividendos e concessões e ainda abrisse um
espaço fiscal maior para despesas com saúde e restos a pagar de investimentos.
Com todos esses abatimentos, Barbosa solicitou uma abertura de R$ 84,2 bilhões.
A primeira meta
desenhada pelo governo, na gestão do ex-ministro Joaquim Levy, ainda está valendo,
já que, mesmo apresentando um pedido de abatimento da meta, Barbosa e o
ministro do Planejamento, Valdir Simão, não chegaram a enviar a proposta ao
Congresso.
No ano passado, o
rombo foi de R$ 116,6 bilhões no governo central, o equivalente a 1,97% do
PIB. Já no setor público consolidado, o resultado negativo foi o equivalente a
1,88% – R$111,2 bilhões. O resultado do governo central no ano passado foi
diretamente influenciado pelo pagamento das chamadas pedaladas fiscais.