Deputados membros do Conselho de
Ética da Câmara dos Deputados só devem votar o parecer do processo de
representação contra o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na tarde de hoje. O
presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), optou por encerrar
a sessão, na noite de ontem, logo após o início dos trabalhos no Congresso
Nacional, após as 19 horas.
Aos parlamentares presentes ele afirmou que a continuidade da apreciação do relatório do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) deveria ser interrompida para evitar questionamentos sobre as prováveis deliberações do Conselho. Pelo regimento da Casa, as comissões não podem deliberar no mesmo momento em que estiver sendo realizada a ordem do dia.
Deputados titulares e suplentes
do Conselho se revezaram ao microfone durante as quase 6 horas de debate para
demonstrar posições contra e a favor da continuidade do processo.
“A população quer a saída de
Cunha pelos fatos que acabamos de relatar. Se Cunha não tem a grandeza de
renunciar ao cargo desta Casa, está sobre nós, como membros do Conselho, tomar
essa decisão”, afirmou a deputada Eliziane Gama (Rede-MA).
Ligado ao presidente Cunha, alvo
do processo, o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB) considera que o peemedebista
não mentiu à CPI da Petrobras ao dizer que não tinha contas no exterior. Para
ele, o MP não conseguiu provar ainda se os recursos do truste do qual Cunha é
sócio são ilícitos ou não.
Abaixo-assinado
Pelo
menos 31 deputados federais do PT assinaram abaixo-assinado em apoio à
continuidade do processo de representação que tramita contra o presidente da
Câmara dos Deputados no Conselho de Ética.
Diante da “cautela” de uma
parcela dos petistas em se posicionar em relação à representação contra o
deputado, o manifesto tenta contornar um suposto acordo entre correligionários
que “aliviariam” a pele de Cunha na votação que será realizada na tarde de
hoje.
O suposto acordo de petistas
tentaria evitar possíveis represálias do peemedebista, como colocar o processo
de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) na pauta da Câmara, por
exemplo.
Dos
quatro deputados federais do Ceará, apenas Luizianne Lins (PT) tinha assinado a
lista até a última atualização às 17 horas de ontem. “Mantenho a avaliação de
que Eduardo Cunha não tem, nesse momento, condições políticas e morais de
continuar na presidência da Câmara dos Deputados. Não quero condenar antecipadamente
ninguém, mas defendo rigor nos processos investigativos”, disse.