O ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva disse, nessa segunda-feira, 15, em reunião do
conselho consultivo da presidência do PT, que o governo tem até junho para
mostrar sinais de recuperação da economia. Segundo relatos de participantes da
reunião, Lula afirmou que a partir do segundo semestre indicadores econômicos e
sociais que avançaram durante sua gestão podem regredir aos índices do final do
governo Fernando Henrique Cardoso caso a economia não melhore, apagando o
legado de seus oito anos no Planalto.
“Aí não vai ter
povo para defender”, disse Lula, de acordo com integrantes do conselho. Segundo
relatos de conselheiros petistas, o ex-presidente pediu empenho do partido para
pressionar governo e ministros no sentido de adotar medidas econômicas menos conservadoras
e mais em sintonia com as demandas da base histórica do PT, contrária ao ajuste
fiscal proposto pelo governo Dilma Rousseff.
Como parte da
estratégia de pressão, o PT apresentou internamente um documento intitulado
Plano Nacional de Emergência, cujo objetivo é propor, paralelamente ao governo,
sugestões para retomada imediata do crescimento econômico.
O texto, que não
foi divulgado para a imprensa, ainda será submetido do diretório nacional do
partido, que se reúne no dia 26, no Rio de Janeiro. Entre seus autores está o
economista Márcio Pochmann, professor da Unicamp e presidente da Fundação
Perseu Abramo, o braço intelectual do PT.
Em setembro do ano
passado, Pochmann coordenou a elaboração do documento Por um Brasil Justo e
Democrático, no qual faz críticas ao ajuste econômico e propõe medidas como
redução da taxa de juros, flexibilização das metas fiscais e mudança no cálculo
da inflação.
Durante a reunião,
realizada a portas fechadas, sobraram críticas à política econômica do governo
Dilma, mesmo depois da substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa no
Ministério da Fazenda, principalmente à proposta de reforma da Previdência que
aumenta a idade mínima para aposentadoria.
“Eu falei que sou
contra (a reforma). O (sistema previdenciário do) setor privado, que é o que
está em questão, é superavitário. Não precisa de ajuste. É um erro do governo
dar tanta ênfase à reforma da Previdência neste ambiente. Já reclamamos com o
ministro (Miguel) Rossetto (da Secretaria-Geral da Presidência)”, disse o
presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques.
Segundo eles,
alguns participantes também se queixaram que a paralisia de obras públicas por
causa do ajuste fiscal, o que tem sido alvo de reclamação de muitos prefeitos
do PT e de partidos aliados que vão disputar a reeleição ou tentar eleger seus
sucessores nas disputas municipais deste ano.
Em outro documento
apresentado também na reunião desta segunda-feira e ainda sujeito a alterações,
o presidente do PT, Rui Falcão, também cobra urgência na adoção de medidas para
retomar o crescimento.
“Não se pode
aguardar mais para inaugurar medidas que retomem o crescimento econômico
sustentável, com inclusão social, geração de empregos, distribuição de renda,
controle da inflação, melhoria dos serviços públicos, investimentos em
infraestrutura”, diz o texto do presidente do PT.
Em uma linha
semelhante à de Lula, Falcão afirmou que a demora na melhoria do ambiente
econômico e a falta de diálogo sobre as propostas do governo dificultam a
relação com as bases petistas.
“Se demorar mais a
obtenção de resultados concretos, capazes de reacender expectativas otimistas,
a histeria golpista encontrará sempre suas fontes de alimentação no pessimismo,
no descontentamento e nas frustrações de toda uma população brasileira que, uma
vez despertada para a consciência de seus direitos – também por obra de nossos
governos –, não se contentará com pouco, nem aplaudirá, às cegas, medidas
adotadas sem o devido debate junto à sociedade civil”, diz o texto que também
será submetido à direção do PT.
Além de Lula e
Falcão, participaram da reunião os governadores do Ceará, Camilo Santana; do
Acre, Tião Viana e do Piauí, Wellington Dias; os prefeitos de São Paulo,
Fernando Haddad, e de São Bernardo, Luiz Marinho e o ex-ministro Gilberto
Carvalho, além de professores, sindicalistas e economistas ligados ao PT.