A população do município de Jaguaruana, na Região
do Baixo Jaguaribe do Ceará, está totalmente sem abastecimento de água
nas torneiras. De acordo com o secretário de Agricultura do município,
Francisco José Valente, desde dezembro de 2015 a cidade passa por dificuldades
por conta da seca, porém, nos últimos meses, a situação foi agravada por causa
de um problema na construção de uma adutora pela Companhia de Gestão de Água e
Esgoto do Ceará (Cagece).
“Aqui está
um caos. Com a seca do Rio Jaguaribe a Cagece construiu uma adutora para trazer
água para a cidade. O problema é que a tubulação utilizada já veio sucateada e
com frequência eles interrompem o abastecimento para fazer reparos, então os
carros-pipas estão sendo a única solução”, conta.
Segundo o secretário, antes da construção da
adutora, a prefeitura, em parceria com o Governo do Estado, já havia construído
mais de 40 poços na região como medida paliativa contra a seca, mas os açudes
de onde seria tirada a água estão com baixo volume e não suportam a demanda do
município. Obrigando até mesmos os prédios públicos recorrerem aos
carros-pipas.
Para Francisco Valente, a situação poderia ser contornada se a Cagece se
comprometesse com o abastecimento da cidade. “Mesmo através da ação do
Ministério Público, a Cagece não está fazendo a parte dela. Exemplo disso é que
têm localidades que a Companhia nem motor colocou para puxar a água”, disse.
Robério Tadeu Giffoni, 32, residente do Bairro Lagoa é um dos moradores
prejudicados pela situação do município. Desempregado, após que a empresa
de frutas onde trabalha fechou as portas por causa da falta de água, Robério
gasta o pouco que tem para conseguir sobreviver. “A gente é obrigado a desembolsar
até R$ 2 por cada balde de água, já para tomar banho e lavar roupa é quando dá.
Mal chega água aqui e quando vem ainda é preta”, reclama.
Ação na
Justiça
O promotor Venústio da Silva Cardoso afirma que o Ministério Público
Estadual entrou com uma ação civil pública contra a Cagece. "A Cagece não
havia apresentado um plano de contingência para a situação de Jaguaruana, além
disso, não comunicava aos usuários os dias que iria interromper o fornecimento
e, quando a água chegava à casa das pessoas, era de péssima qualidade",
afirma.
Em audiência realizada em agosto deste ano, após
decisão do juíz Domingos José da Costa, ficou acordado que a Cagece deveria
disponibilizar gratuitamente pelo menos dez caminhões-pipas por dia para ajudar
na distribuição de água na cidade; perfurar mais seis poços, como forma de
assegurar o fornecimento; apresentar um plano de contingência e um relatório
quinzenal acerca da entrega de água através de carros-pipas e suspender o
pagamento das contas de água até que a situação do serviço fosse normalizada,
ficando proibida, inclusive, de realizar corte em razão da falta de pagamento.
Em caso de descumprimento, a decisão estabelece multa diária de R$ 10 mil.
Conforme o promotor, as medidas foram suspensas após a Companhia apresentar um
plano de contingência. "O Ministério Público irá analisar o plano
apresentado, depois ele seguirá para o julgamento do juiz que irá decidir se
aceita ou se retorna com as medidas propostas na última audiência",
explica.
Obras
Segundo a Cagece, o município de Jaguaruana é abastecido por meio de uma adutora. No entanto,
devido ao intenso período de seca, a água da adutora não é suficiente para dar
suporte a todo população da cidade. Com isso, parte da dos habitantes do
município é abastecida pela adutora e o restante dos moradores só recebem água
por meio de carros-pipa.
A situação da falta de água se agravou na última
semana após a adutora ser interditada para a retirada de vazamentos. A
expectativa da companhia é que as obras sejam finalizadas até a próxima semana.
Com isso, segundo a Cagece, o fornecimento deve ser normalizado aos poucos, até
ser completamente normalizado.
Secas nos
açudes
A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) informou que o município
de Jaguaruana não está mais sendo abastecida por nenhum açude. O mais recente
monitoramento da Cogerh, divulgado na quinta-feira (21), apontou que metade dos
açudes do Ceará está seco ou no volume morto. Dos 153 açudes monitorados pela
companhia 42 estão com volume morto e outros 38 estão completamente sem água.
Em setembro deste ano, o Ministério da Integração
Nacional decretou situação de emergência por causa da seca na cidade de
Jaguaruana. No último dia 8 de agosto, em levantamento feito pela Fundação
Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) mostrou que nos últimos
cinco anos, de 2012 a 2016, foram apenas 516 milímetros de chuva, em média, no
Ceará.
O índice é o menor desde 1910. De acordo com o
meteorologista Davi Ferran, vai ser preciso conviver com a incerteza pelos
próximos meses, já que ainda é cedo pra afirmar se 2017 vai trazer chuva ou
não.