De 1° de janeiro a 30 de abril choveu 477,6
milímetros em todo o Ceará. A média histórica para esses quatro
primeiros meses do ano é de 608,8 milímetros, o que significa dizer que choveu
neste ano 21,6% abaixo da média. Nos quatro primeiros meses do ano, janeiro foi
o único mês onde as chuvas ficaram acima da média: choveu 192 milímetros,
quando a média histórica do mês é 98,7mm, representando um desvio positivo de
95,4%.
Os dados, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme),
confirmam a previsão realizada em janeiro de que o Estado teria 65% de chance
de ter chuva abaixo da média histórica no período. No Ceará, a quadra chuvosa é
concentrada nos meses de fevereiro, março, abril e maio. Se considerar meses da
quadra chuvosa, ou seja, os meses de fevereiro, março e abril, o desvio
negativo chega a 44%.
A média do trimestre é de 510,1 milímetros e choveu
285,6 milímetros entre 1° de fevereiro e 30 de abril. "Uma das
características da chuva no semiárido e na nossa região do litoral é a
irregularidade das chuvas. De uma forma geral, todas as regiões do interior do
Estado estão com chuvas abaixo da média”, explica o meteorologista da Funceme
Davi Ferran.
Nível dos
açudes
Como principal reflexo da falta de chuvas no Estado está o baixo nível do
açudes que abastecem o Ceará. De acordo com a Companhia de Gestão dos
Recursos Hídricos (Cogerh), o volume médio dos 153 açudes monitorados pela
Companhia apresentam um volume de 13,3%, o que representa 24,8 bilhões de
metros cúbicos armazenados. De acordo com a Cogerh destacam-se os açudes
Quandu, Caldeirões e Maranguapinho que iniciaram sangria.
É no semiárido que estão açudes importantes, como o Castanhão. Além de Fortaleza,
outros 25 municípios são abastecidos pelo Castanhão, entre eles Nova Russas,
distante 180 quilômetros da capital. No município, um perímetro irrigado
depende da água do açude.
Atualmente, cinco mil hectares da região são
utilizados para o cultivo de frutas, principalmente de melão e da melancia, que
são exportadas para diversos países, o que coloca o Ceará entre os maiores
exportadores de frutas do País.
O reservatório tem capacidade para armazenar 7,5
bilhões de metros cúbicos de água, mas atualmente acumula apenas 699,87
milhões, que representa apenas 10,45% da sua capacidade de armazenamento, o
pior índice desde que foi inaugurado, há 12 anos, de acordo com informações da
Cogerh.
“Nos preocupa a atividade econômica rural: a
pecuária, a irrigação que consomem mais água. Vai precisar ter uma restrição
maior ainda no uso e no atendimento da Região Metropolitana de Fortaleza e de
cidades do Vale do Jaguaribe, regiões atendidas pelo Castanhão. Então, a gestão
dessa água vai ter de ser mais efetivo, mais racional ainda. Vamos ter que
fazer com que essa água dê para atravessar esse período seco que vai se
apresentar a partir de junho”, alerta Francisco Teixeira, secretário de
Recursos Hídricos do Estado.