A quantidade de queimadas no Ceará entre 1º de janeiro e 2 de dezembro aumentou 28% em relação ao mesmo período de 2014. As informações são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Instituto monitora as queimadas via satélite, em todo o país. Em números absolutos, o Inpe registrou 2.482 queimadas nos 11 meses de 2015 e 1929 queimadas no mesmo período de 2014. De acordo com o monitoramento, o Ceará ocupa a 12ª posição em número de queimadas entre os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal.
Na média histórica, a maior quantidade de queimadas contabilizadas no Ceará
ocorreu em 2003, com 14.426. Em 1999 o número de ocorrências foi o menor, com
1.695 registros. Tradicionalmente, as queimadas aumentam nos meses de outubro,
novembro e dezembro, quando a temperatura sobe e os ventos ficam mais
fortes. Segundo o Inpe, o Ceará aparece com risco de alto a crítico para
queimadas e incêndios nas próximas 48 horas. Nas últimas 48 horas, 79 queimadas
foram registradas no Estado.
No domingo (29), um incêndio atingiu uma grande plantação de
banana em Lavras da Mangabeira, a 417 quilômetros de Fortaleza. O fogo
atingiu uma área de doze hectares de banana na zona rural do município. Segundo
os produtores, o prejuízo é estimado em R$ 300 mil e cerca de 50.000 mil pés de
banana destruídos. O produtor rural Otácio Machado Fiúza afirma ter presenciado
o início do incêndio e disse que tentou apagar as chamas, mas não conseguiu. “O
fogo começou por volta do meio-dia de domingo. A área estava em ponto de
colher, mas o incêndio destruiu tudo”.
No início de novembro, outro incêndio de grandes proporções destruiu vários
hectares de mata na Chapada do Araripe, no Crato, sul do Ceará. As chamas podiam ser
vistas de longe. Segundo moradores, o incêndio teria começado no Sítio
Coqueiro, na zona rural do município. Eles ajudaram no combate ao incêndio
usando mangueiras e garrafas pet para jogar água. Ninguém ficou ferido. O Corpo
de Bombeiros ainda investiga se o incêndio pode ter tido origem criminosa.
Monitoramento
Os satélites do Inpe conseguem diagnosticar todos os focos de incêndio que
tenham pelo menos 30 metros de extensão por um metro de largura. De acordo com
o Instituto, quase todas as queimadas são causadas pelo homem, seja de
maneira proposital ou acidental. Estão entre as razões de incêndios e queimadas
estão limpeza de pastos, preparo de plantios e desmatamentos Segundo o Inpe, as
queimadas destroem a fauna e a flora nativas, causam empobrecimento do solo e
reduzem a penetração de água no subsolo, além de gerar poluição atmosférica com
prejuízos à saúde de milhões de pessoas e à aviação. Denúncias de incêndios
criminosos podem ser feitas ao Corpo de Bombeiros, às prefeituras, às
secretarias estaduais do Meio Ambiente e ao Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).