Depois de mais de um ano suspensas
por falta do repasse de verbas do Ministério da Saúde, as cirurgias de catarata
voltaram a ser realizadas pelo SUS em Fortaleza nesta semana. A Secretaria
Municipal de Saúde (SMS) recebeu R$ 4 milhões. Quatro instituições vão realizar
o procedimento, entre elas, o Instituto dos Cegos.
Com a suspensão, muitos portadores
aguardam a realização da cirurgia. A SMS não divulgou a quantidade de pessoas
estão na fila de espera, mas só no Instituto dos Cegos, cerca de 1.700
pacientes precisam realizar o procedimento.
A dona de casa Maria Iris de Sousa
disse que tem problemas no olho direito há dois anos e tentou fazer a
cirurgia. “Fiz um exame de sangue e cardiológico. Não troquei os óculos
porque o médico disse que se trocasse os óculos ia perder porque tinhad e fazer
a cirurgia”.
Os exames pré-operatórios foram
feitos, a cirurgia foi marcada para setembro do ano passado no Hospital das
Clínicas, mas até janeiro deste ano ela não foi operada. Hoje, além de não
conseguir fazer os serviços domésticos, Íris sofre de dores de cabeça todos os
dias. “Vivo sob efeitos de remédios. Não consigo mais trabalhar. Minha
aposentadoria não está dando para me sustentar, manter minhas despesas. Estou
muito prejudicada com essa minha situação”.
Segundo a gerente administrativa da
Sociedade de Assistência aos Cegos, Cássia Aquino, no ano passado, nenhuma
cirurgia foi realizada. Neste ano, só duas.
“Essa fila tem um perfil muito
diversificado. Existem pessoas que estão esperando por mais de dois anos. Um
ano, um mês, uma semana. Alguns até já faleceram. Aquela pessoa que esperou
tanto que acabou falecendo. Outras que pagaram pela cirurgia que tiraram do
próprio bolso. Então uma fila que varia muito”.
O motorista José de Lins de 65 anos,
resolveu pagar do próprio bolso a cirurgia nos olhos. Motorista profissional,
ele está parado por causa do problema na visão e só vai renovar a carteira de
habilitação quando fizer a cirurgia. “Se vencer lá o prazo não pego mais cinco
anos de carteira pego somente três né?”
Os médicos lembram que, quanto maior
o tempo de espera pela cirurgia, maiores os riscos de complicação da doença,
podendo chegar até mesmo à cegueira irreversível.
“A chance de a pessoa operar uma
catarata se ela não tiver nenhum outro problema relacionado ao olho é
praticamente 100%. Ela voltar a enxergar. Quanto mais tempo ela passar com essa
catarata, ela poderá desenvolver um glaucoma e outras doenças”, explicou o
médico José Arruda Filho.