A Lenda do Gato Preto, longa-metragem
cearense do diretor quixadaense Clébio Viriato Ribeiro,
conquistou o Troféu de Ouro “World Human Rights Awards
(WHRA) ” – Prêmio Mundial dos Direitos Humanos na Indonésia.
Com roteiro assinado pela dupla Caio Quinderé e Kennedy
Saldanha e apoio do Governo do Estado do Ceará, o filme é baseado
em uma lenda urbana da cidade de Quixadá e aborda
positivamente a temática cigana, povos que fazem parte de uma etnia
muito discriminada no mundo inteiro, fator que também garantiu prêmio nas
categorias platina e prata. Rodado nas cidades de Quixadá e Maranguape,
tem em seu elenco principal os atores Emiliano Queiroz, Elke
Maravilha, Eduardo Dascar, Jane Azeredo, Katiana Monteiro, Alexandre Mandarino,
Aurora Duarte e a estreante Cassia Roberta. Os atores Antonieta
Noronha e Sidney Souto (ambos in memoriam) fazem
parte do núcleo cigano.
Entregada do Gato Preto é premiado em Jakarta, Indonésia. Divulgação.
A entrega do prêmio acontecerá próximo dia 18 de janeiro em Jakarta, na Indonésia. “Na ocasião, teremos a oportunidade de participar do debate e de uma coletiva internacional engrandecendo o nome do Ceará para a imprensa mundial, além de ser momento de negócios com distribuidoras nacionais e internacionais”, pontua Viriato.
O filme
Com direção de Clébio Viriato, A Lenda do Gato Preto é um filme de longa duração e que se destina à exibição no circuito comercial de salas de cinema e salas digitais no Brasil e exterior. O filme exalta a força da cultura cigana e sua contribuição para formação da identidade cultural brasileira. Vai respeitar as diferenças das minorias étnicas, reconhecendo o legado que os povos ciganos (notadamente os que passaram pelo sertão nordestino em meados do século passado) deixaram às futuras gerações.
O filme tem ainda como mote inspirador uma lenda urbana propagada em
Quixadá, município do sertão central do Ceará, que diz sobre uma menina tomada
pelo desejo súbito e irresistível de subir pela parte mais íngreme da Pedra do
Cruzeiro, vencendo seus 90 metros de altura sem a ajuda de qualquer
equipamento, afirmando ser atraída por um gato preto que a conduzia até o topo
da pedra.
Como resultado, espera-se atingir um público estimado em dois milhões de
pessoas entre cinéfilos, remanescentes de comunidades ciganas, jovens e
adultos, homens e mulheres das classes sociais A, B e C no Brasil e Exterior.
Por que um filme sobre ciganos? Ao contrário dos índios, hoje também uma
minoria, os ciganos nem sequer são citados na Constituição Federal. A defesa
dos direitos e interesses ciganos, no entanto, é bem mais difícil e complexa,
porque a bibliografia sobre esse grupo no Brasil é muito reduzida e mal chega a
uma dúzia de ensaios científicos, dada a quase inexistência de antropólogos e
outros cientistas que realizaram ou realizam pesquisas de campo em torno do
tema.
Assim, os ciganos constituem uma minoria das menos conhecidas e talvez
por isso são vítimas de muitos preconceitos e discriminação no Brasil. Por
isso, a pesquisa deste filme foi fundamentada na oralidade de grupos ciganos
residentes nas proximidades de Sobral e Juazeiro do Norte, interior do Ceará.
A cultura cigana representa um conjunto de tradições e crenças que
desafiam os modelos sociais por defender o direito à diferença. Os ciganos ao
longo da história são testemunhas do preconceito social e religioso, exatamente
por não reconhecerem um Deus próprio, nem sacerdotes, nem cultos originais.
Para os citadinos, cigano muitas vezes é sinônimo de esperto, vagabundo ou
ladrão. Esse ranço histórico é cultivado, inclusive, pela literatura em torno
de estórias e histórias vividas ou imaginadas. Assim como os judeus, os índios,
os negros, ou os pobres, os ciganos são discriminados na sociedade. É sobre
discriminação, amor proibido, honra e dignidade que este filme trata.
A Lenda do Gato Preto enfoca os aspectos da cultura cigana e os contrates com a moral
social dos anos 70 até os dias atuais, para que a sociedade compreenda o seu
valor e mantenha a determinação de preservar a cultura nômade.