O Aedes aegypti é o vilão da vez, e tem amedrontado grávidas por todo o
país. Isso porque o mosquito é responsável pela transmissão do zika vírus,
associado pelo Ministério da Saúde a casos de microcefalia em recém-nascidos.
Além disso, o Aedes aegypti transmite a dengue e a chikungunya.
Com o surto das doenças, o Governo Federal intensificou as campanhas
contra o inseto. O diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de
Medicina de Família e Comunidade, Rodrigo Lima, explica que o combate eficaz
das doenças envolve o conhecimento dos sintomas causados por cada uma das
febres. “Além da prevenção da doença, que se faz evitando a proliferação do
mosquito, é importante reconhecer com rapidez os sinais e sintomas das doenças,
e procurar atendimento médico sempre que necessário”, reforça.
Rodrigo esclarece sete mitos e verdades a respeito da dengue:
1) Quem já teve dengue uma vez não terá mais a doença.
Mito. Existem quatro subtipos do vírus da dengue. “Assim, uma pessoa que já
teve dengue pode desenvolver novamente a doença caso seja infectada com um
subtipo com o qual não teve contato anteriormente”, explica.
2) Todas as pessoas precisam fazer exames de sangue para diagnosticar a
doença.
Mito. “O diagnóstico da dengue pode ser feito apenas por exame clínico,
sendo os exames de sangue reservados para casos de potencial grave, ou caso o
médico tenha dúvidas a respeito do diagnóstico”. Ao identificar sintomas
como fortes dores no corpo, de cabeça, vômitos e náuseas constantes, é
necessário procurar atendimento em uma Unidade de Saúde. “A dengue pode
ser confundida com outras viroses e com a gripe, e o diagnóstico é importante
para definir o tratamento”.
3) Se não for diagnosticada a tempo, a doença pode levar a pessoa à
morte.
Verdade. “A doença, principalmente a dengue hemorrágica, pode agravar o
quadro clínico do paciente se não diagnosticada e tratada a tempo”.
4) O Aedes aegypti só circula durante o dia.
Mito. “O inseto não tem hábitos específicos relacionados a períodos do
dia para circular, podendo picar durante o dia e durante a noite”.
5) Só é preciso se preocupar com a proliferação do mosquito durante o
período de chuvas.
Mito. “Períodos de estiagem, por exemplo, são particularmente perigosos
para a reprodução do mosquito, pelo hábito de armazenamento de água”, aponta
Rodrigo. O Aedes aegypti pode se reproduzir a partir de ovos depositados em
água parada como garrafas, pneus e caixas d’água, entre outros recipientes.
6) É possível evitar a dengue.
Verdade. “Manter a casa livre de possíveis focos de proliferação do mosquito e
orientar vizinhos a fazer o mesmo pode evitar que o inseto esteja próximo de
você”. Repelentes também são indicados.
7) O tratamento consiste basicamente na hidratação e no uso de
sintomáticos.
Verdade. “A medida mais importante no tratamento é a ingestão de líquidos,
que evita as complicações da doença, e o controle dos sintomas. Importante
lembrar que o uso de ácido-acetilsalicílico (AAS) é contra-indicado por
aumentar o risco de sangramentos”, finaliza.