As longas filas, a
demora no atendimento, os contratempos para marcação de consultas, exames e
cirurgias deixam os brasileiros mais angustiados com os serviços de saúde. A
angústia não está apenas no pensamento, mas se reflete, com dados reais, em uma
pesquisa que acaba de ser divulgada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Segundo a pesquisa
do Instituto Datafolha, encomendada pela CFM, os brasileiros consideram a saúde
como a área que o governo deve dar prioridade. De acordo com o levantamento,
43% dos entrevistados apontaram a saúde como o tema que merece maior
preocupação, seguido por educação, com 27%, e combate à corrupção, com 10%. O
Instituto Datafolha entrevistou, entre os dias 10 e 12 de agosto, 2.069 pessoas
com 16 anos ou mais.
Embora os números
sejam significativos, houve uma queda em relação à pesquisa semelhante,
realizada ano passado. Em 2014, 57% avaliaram que a saúde era a área que
carecia de maior atenção. “Acreditamos que a redução não esteja ligada à melhora
nas condições de atendimento e infraestrutura de saúde, mas, sim, a problemas
que se tornaram mais agudos nas outras áreas, ligados, por exemplo, ao Fies
(Fundo de Financiamento Estudantil) e à corrupção”, avaliou o presidente do
CFM, Carlos Vital.
Uma das principais
dificuldades enfrentadas por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) é o tempo
de espera para receber atendimento. A pesquisa revela que um quarto dos
entrevistados aguardava mais de 12 meses para serem atendidos. Do total de
ouvidos, 16% disseram esperar entre 6 e 12 meses e 39%, de um a seis meses.
Quanto maior a complexidade do procedimento, maior a dificuldade para o acesso.
Para fazer cirurgias, por exemplo, 44% disseram aguardar mais de 12 meses.