O senador Romero Jucá,
vice-presidente nacional do PMDB, porta-voz do anúncio oficial feito na
terça-feira, 29, de rompimento da sigla com o governo da presidente Dilma
Rousseff, rebateu nesta manhã, 30, a acusação do PT de que o movimento de seu
partido é um golpe. Em entrevista à Rádio Estadão, Jucá argumentou que o PMDB
não está dando nenhum golpe e nem se movimentando para tirar a presidente Dilma
Rousseff do Palácio do Planalto. “Quem fez essa manifestação, quem quer a saída
da presidente é o País, as forças das ruas, os segmentos organizados e as
diversas representações de empresários e trabalhadores que sabem que o governo
(do PT) não tem mais a condição e a legitimidade de construir uma alternativa
para o País. O PMDB está apenas verbalizando que não concorda com o quadro que
existe hoje e não quer ser parceiro (do PT).”
Na entrevista, o líder disse que tem
visto na bancada de seu partido uma vontade majoritária para o impeachment de
Dilma prosseguir. Indagado sobre a declaração do presidente do Senado Federal,
seu correligionário Renan Calheiros, que disse esperar que o processo de
impeachment não chegue ao Senado, Romero Jucá afirmou que diverge dessa
posição. “Renan se acautelou, respeitamos a torcida pessoal dele, mas a torcida
do povo brasileiro, que é maior, espera que (o processo) chegue (ao Senado).”
Apesar da divergência, Jucá disse não ter dúvidas de que Renan tratará do
assunto – se o impeachment tramitar no Senado – de forma institucional,
equilibrada e o processo caminhará. “Eu espero que chegue porque o País tem que
dar a volta por cima, não dá mais para ficar do jeito que está, travado,
empresas fechando e pessoas perdendo seus empregos.”
Na sua avaliação, o PMDB acordou hoje
“mais leve” com a decisão tomada por 82% de correligionários presentes no
Diretório Nacional, votando por aclamação. E reiterou que a partir de hoje
ninguém está autorizado a exercer cargo do PMDB no governo federal. Segundo
ele, além de Henrique Eduardo Alves, outros ministros estão se preparando para
o desembarque. “O PMDB agiu acertadamente porque a situação do Brasil hoje é
gravíssima e não podemos compactuar com o quadro econômico e social que está se
deteriorando rapidamente no País.” Indagado sobre eventuais resistências, disse
esperar que isso não ocorra.
O senador peemedebista afirmou que
tem o maior respeito pela presidente Dilma, mas o seu governo perdeu o eixo. E
justificou o desembarque do seu partido da gestão petista, sob alegação de que
a motivação não foi pessoal, mas política. “O governo disputou a eleição de
2014 com um discurso e a realidade hoje é outra, então o PMDB não mudou de
posição”, disse, alegando que a sigla está cobrando posições e se posicionando
sobre um quadro gravíssimo. “A solução desse imbróglio tem que vir pela
política o Brasil não precisa de um bravateiro.”
Sobre os riscos de Temer assumir um
País fragilizado, disse que o maior partido do País não pode se furtar a
enfrentar este desafio e colocar as providências para a saída da crise em
andamento. “Se o PMDB não fizer, quem fará?”, indagou. E lembrou que a legenda
já conviveu com vários confrontos ao longo de seus 50 anos.
Lava Jato
O senador disse que o PMDB apoia a
Lava Jato. “Essa operação muda os parâmetros da política no Brasil. Mas acho
que ela não pode ser o centro do governo e o centro do País, o governo tem que
governar, tem que sair do imobilismo e paralelamente a Lava Jato vai
investigando, quem tiver culpa deve ser punido e quem não tiver, o Ministério
Público deve ter a responsabilidade de isentar, não há demérito em ser
investigado, o demérito é ser condenado.”
No caso de integrantes do PMDB, Jucá
disse que eles devem ter direito de defesa, mas todos devem responder perante a
lei. “Não há ninguém acima da lei, é importante que a Lava Jato continue com
rapidez, para que fique claro quem cometeu ou não crimes.”