Fortaleza foi a capital com maior taxa de
homicídios por armas de fogo em 2014, com 81,5 vítimas a cada 100 mil
habitantes, enquanto o Ceará ocupa a segunda posição no Brasil entre os
estados, com 42,9 homicídios a cada 100 mil habitantes.
Os dados fazem parte de um estudo coordenado pelo
professor e sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de pesquisa do Instituto
Sangari e coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade
Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO), divulgado nesta quinta-feira
(25).
"Ficou evidente, nesse estudo, o progressivo,
sistemático e ininterrupto incremento das taxas de homicídio por arma de
fogo", escreveu o pesquisador. O Brasil registrou 57 mil homicídios em
2014, o que corresponde a 6,5 assassinatos por hora, aponta a pesquisa “Mapa da
Violência 2016”.
'Dados
antigos'
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) diz que os
dados de 2014 "não refletem os atuais índices estatísticos de Fortaleza e
do Ceará".
"Em 2015, se comparado com 2014, o estado
registrou uma queda de 9,5% e Fortaleza, 17%, nos Crimes Violentos Letais
Intencionais (CVLIs), que englobam homicídios, lesões corporais seguidas de
morte e latrocínios", diz a pasta, em nota.
A secretaria ressalta ainda que nos sete primeiros
meses de 2016 houve redução de 12,2% no número homicídios no estado, e
Fortaleza teve baixa de 37,6%, se comparado com o mesmo período do ano passado.
Crescimento
em 10 anos
O mapa da violência mostra que em todo o Ceará houve um crescimento de 314% na
taxa de homicídios por armas de fogo, na década. Em 2004, foram registrados 916
homicídios e em 2014, o número chegou a 3.792. Com relação ao ano anterior, número
de homicídios por armas de fogo teve crescimento de 3,8%, passando de 3.652, em
2013, para 3.792 no ano seguinte. Considerando a taxa por 100 ml habitantes, o
estudo mostra que passou de 11,7%, em 2004, para 42,9%, em 2014, o que
representa crescimento de 268,2% na década.
Segundo a pesquisa, a região Nordeste foi a que
apresentou as maiores taxas de homicídios por armas de fogo em quase todos os
anos da década analisada (2004-2014). Sua taxa média em 2014, de 32,8
homicídios por armas de fogo por 100 mil habitantes, fica bem acima da
taxa da região que vem imediatamente a seguir, Centro-Oeste, com 26.
No Nordeste, em 2014, as taxas de homicídio
"são violentamente puxadas" para cima por Alagoas (56,1) e também
pelo Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte, com taxas em torno de 40 homicídios
por 100 mil, na região Centro-Oeste destaca-se Goiás, cuja taxa excede os 30
homicídios por 100 mil habitantes.
Oscilação
da Violência
Considerando o período de 2000 a 2014, o estudo mostra estados que na virada do
século eram relativamente tranquilos, ingressam numa forte onda de de violência
em 2014. É o caso do Ceará, que de uma taxa de homicídios por arma de fogo de
9,4 por 100 mil, em 2000, passa para 42,9 em 2014 (de 19º para 2º lugar); ou
Rio Grande do Norte, de 18º para 4º (de 9,8 para 38,9 por 100 mil habitantes).
Em contrapartida, o estudo mostra que oito estados
que ocupavam os primeiros lugares no Mapa da Violência por armas de fogo em
2000, evidenciam quedas em 2014. Em alguns casos, quedas bem significativas,
como Rio de Janeiro, que ocupava o primeiro lugar em 2000 e passou para o 15º;
ou São Paulo, que passa do 6º para o 26º ; ou Mato Grosso do Sul, da sétima
posição para a 23ª;.