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Com reservatórios quase secos, produção de tilápia cai 90%

Pontos tradicionais de venda do pescado fecharam suas portas; na feira livre quase não se encontra o peixe

A tilápia é um peixe que caiu no gosto do consumidor cearense. A produção regional nos açudes em gaiolas assegurou até recentemente a demanda, mas agora começa a faltar o pescado. Os reservatórios estão secos e a oferta caiu mais de 90%, segundo estimativa de piscicultores e comerciantes.

Nesta cidade, dois pontos tradicionais de venda de tilápia viva, abatida na hora, encerraram suas atividades por absoluta falta do pescado. Na feira livre, o peixe praticamente sumiu. "Trazia toda semana cerca de 400, 500 quilos de tilápia do Açude Orós, mas agora só trago 40 quilos", disse o vendedor Evanilson Saraiva. "Nos próximos meses, o pescado vai acabar porque vão secar o Orós".

O piscicultor Ernani Lima tinha criatório no Açude Trussu, localizado no distrito de Suassurana, zona rural de Iguatu, mas a atividade de produção de tilápia foi encerrada há 15 dias. Houve problema burocrático para renovação de licença em um órgão federal em Brasília e redução do volume de água no reservatório. "Desde o ano passado, com pouca água nos açudes, que os peixes estão morrendo no Orós, no Castanhão e logo iria acontecer aqui", frisou. "Com pouca água não tem como continuar com o projeto de criação".

O empresário chegou a comprar pescado de criatórios no Açude Ubaldinho, no vizinho município de Cedro, mas a oferta era limitada e não atendia a demanda. "Lá também está com pouca água e o peixe vinha uma semana e faltava em duas, sem regularidade. Então, achei melhor fechar a venda", justificou.

A falta de pescado nos tradicionais pontos de venda deixou alguns consumidores surpresos. "Estava habituado a comer duas vezes por semana, mas agora não sei como vou fazer", disse o aposentado, Luís Ribeiro. "Comprava aqui na loja, que fechou. Achava bom porque era um peixe fresco". A escassez de peixe de água doce na feira livre e nos pontos de venda é o reflexo de que não há trabalho e renda para pescadores artesanais e piscicultores nos açudes da região. Ernani Lima disse que teve que demitir três funcionários da unidade de produção no reservatório Trussu. No entorno do Açude Orós, o quadro é mais grave. "São centenas de produtores parados e sem perspectiva de quando vão retomar a atividade", disse Evanilson Saraiva.

Nos últimos anos, houve uma mudança na vida de muitos agricultores que passaram a ser piscicultor, produzindo tilápia em gaiolas. A atividade expandiu-se, gerou centenas de empregos e elevou a renda familiar. No entorno dos reservatórios, as casas de taipa foram substituídas por unidades de alvenaria em bom acabamento. As famílias adquiriram eletrodomésticos, carros, motos e instalaram energia.

Retração

Agora, depois de cinco anos de chuva abaixo da média e perda das reservas hídricas nos açudes, houve significativa retração da atividade. "A piscicultura floresceu, mas agora enfrenta dificuldades por falta de água", observa Paulo Landim, integrante do sub-comitê da Bacia do Alto Jaguaribe. Somente no Açude Orós, a produção chegou a 420 toneladas de tilápia por mês, com a participação direta de 700 famílias. "Beneficiava piscicultores de Orós e Quixelô", disse .

"Agora eles estão prejudicados e serão mais afetados com a liberação de água para a Região Metropolitana de Fortaleza e Baixo Jaguaribe a partir de setembro próximo". A produção de tilápia nos açudes Rosário, em Quitaiús, Lavras da Mangabeira, e no Olho D'Água, em Várzea Alegre, também foi reduzida em mais de 70%. Alguns restaurantes já começam a adquirir tilápia oriunda do Rio São Francisco, na Bahia. No centro de Iguatu, já há quem revenda o pescado vindo de outro Estado. Um caminhão frigorífico traz toda semana cerca de 20 toneladas para atender a demanda regional.

 

25 de AGO de 2016 às 07:44:28
Fonte: Diário do Nordeste
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A tilápia é um peixe que caiu no gosto do consumidor cearense. A produção regional nos açudes em gaiolas assegurou até recentemente a demanda, mas agora começa a faltar o pescado. Os reservatórios estão secos e a oferta caiu mais de 90%, segundo estimativa de piscicultores e comerciantes.

Nesta cidade, dois pontos tradicionais de venda de tilápia viva, abatida na hora, encerraram suas atividades por absoluta falta do pescado. Na feira livre, o peixe praticamente sumiu. "Trazia toda semana cerca de 400, 500 quilos de tilápia do Açude Orós, mas agora só trago 40 quilos", disse o vendedor Evanilson Saraiva. "Nos próximos meses, o pescado vai acabar porque vão secar o Orós".

O piscicultor Ernani Lima tinha criatório no Açude Trussu, localizado no distrito de Suassurana, zona rural de Iguatu, mas a atividade de produção de tilápia foi encerrada há 15 dias. Houve problema burocrático para renovação de licença em um órgão federal em Brasília e redução do volume de água no reservatório. "Desde o ano passado, com pouca água nos açudes, que os peixes estão morrendo no Orós, no Castanhão e logo iria acontecer aqui", frisou. "Com pouca água não tem como continuar com o projeto de criação".

O empresário chegou a comprar pescado de criatórios no Açude Ubaldinho, no vizinho município de Cedro, mas a oferta era limitada e não atendia a demanda. "Lá também está com pouca água e o peixe vinha uma semana e faltava em duas, sem regularidade. Então, achei melhor fechar a venda", justificou.

A falta de pescado nos tradicionais pontos de venda deixou alguns consumidores surpresos. "Estava habituado a comer duas vezes por semana, mas agora não sei como vou fazer", disse o aposentado, Luís Ribeiro. "Comprava aqui na loja, que fechou. Achava bom porque era um peixe fresco". A escassez de peixe de água doce na feira livre e nos pontos de venda é o reflexo de que não há trabalho e renda para pescadores artesanais e piscicultores nos açudes da região. Ernani Lima disse que teve que demitir três funcionários da unidade de produção no reservatório Trussu. No entorno do Açude Orós, o quadro é mais grave. "São centenas de produtores parados e sem perspectiva de quando vão retomar a atividade", disse Evanilson Saraiva.

Nos últimos anos, houve uma mudança na vida de muitos agricultores que passaram a ser piscicultor, produzindo tilápia em gaiolas. A atividade expandiu-se, gerou centenas de empregos e elevou a renda familiar. No entorno dos reservatórios, as casas de taipa foram substituídas por unidades de alvenaria em bom acabamento. As famílias adquiriram eletrodomésticos, carros, motos e instalaram energia.

Retração

Agora, depois de cinco anos de chuva abaixo da média e perda das reservas hídricas nos açudes, houve significativa retração da atividade. "A piscicultura floresceu, mas agora enfrenta dificuldades por falta de água", observa Paulo Landim, integrante do sub-comitê da Bacia do Alto Jaguaribe. Somente no Açude Orós, a produção chegou a 420 toneladas de tilápia por mês, com a participação direta de 700 famílias. "Beneficiava piscicultores de Orós e Quixelô", disse .

"Agora eles estão prejudicados e serão mais afetados com a liberação de água para a Região Metropolitana de Fortaleza e Baixo Jaguaribe a partir de setembro próximo". A produção de tilápia nos açudes Rosário, em Quitaiús, Lavras da Mangabeira, e no Olho D'Água, em Várzea Alegre, também foi reduzida em mais de 70%. Alguns restaurantes já começam a adquirir tilápia oriunda do Rio São Francisco, na Bahia. No centro de Iguatu, já há quem revenda o pescado vindo de outro Estado. Um caminhão frigorífico traz toda semana cerca de 20 toneladas para atender a demanda regional.

 

25 de AGO de 2016 às 07:44:28
Fonte: Diário do Nordeste