A Ouvidoria do
Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM) recebeu cerca de 30 denúncias
referentes a desmonte de prefeituras durante o processo eleitoral deste ano.
Passado o primeiro turno da eleição, o presidente do TCM, conselheiro Francisco
de Paula Rocha Aguiar, explica que nem todas as acusações se materializam, mas
ressalta que o Tribunal segue apurando as supostas irregularidades, em conjunto
com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). Ontem, técnicos do TCM e
promotores de Justiça do MP vistoriavam seis municípios onde há queixa de
desmonte.
Paralelo a
atividades de fiscalização executadas nas seis localidades, ontem, um evento
que tinha como público-alvo os gestores dos municípios ocorreu na sede da
Procuradoria-Geral de Justiça, em Fortaleza. O encontro, organizado pelo MP-CE
e pelo TCM, contou com a presença de 73 prefeitos. Na ocasião, foram reforçadas
as orientações contra as práticas que provocam danos administrativos no período
de transição entre as gestões.
O presidente do
TCM, conselheiro Francisco de Paula Rocha Aguiar, reforçou que a legislação
"é muito rígida para o último ano da administração municipal", o que
segundo ele, resulta em "muitas proibições". Aliado a este
endurecimento, a redução das receitas das cidades também é vista, segundo o
conselheiro, como motivo de alerta, já que pode gerar mais dificuldade no
cumprimento das exigências legais por parte dos prefeitos neste momento
específico.
Apuração
O conselheiro
explica que nem todas as denúncias de práticas irregulares protagonizadas por
gestores que não conseguiram a reeleição ou a eleição dos seus sucessores - enviadas
ao Tribunal - têm se efetivado no decorrer da apuração. Francisco reforça que
"o TCM tem ferramentas virtuais avançadas" e é possível "saber
exatamente o que está ocorrendo no município em tempo real ou dependendo da
população, no máximo em 24h".
O TCM tem
conhecimento do perfil dos administradores municipais desde que os mesmos
iniciaram os mandatos em 2013, acrescentou o presidente. Este fato, explica,
favorece o acompanhamento e a apuração das acusações contras os gestores.
De acordo com
procurador-geral de Justiça Plácido Barroso Rios, diante da impossibilidade de
focar nos 184 municípios, o MP-CE "se ateve àqueles onde já foi
identificada a possibilidade maior de ocorrer irregularidades". Esta
cidades já estavam sendo monitoradas pelos órgãos de controle externo, informa
o procurador, por já "terem atividades suspeitas e históricos de ações
reiteradas nesse sentido".
Segundo Plácido,
irregularidades de todas as ordens estão sendo apuradas e vão desde a
apropriação do mobiliário da Prefeitura até a demissão de servidores. As
consequências para os autores das irregularidades, explica, se dão no aspecto
cível, com atos de improbidade administrativa, caso seja configurado desvio de
patrimônio ou de recursos, e na área criminal.
As ações para
evitar os desmontes também são enfatizadas pelo presidente da Associação dos
Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Expedito José, prefeito de Piquet
Carneiro. O gestor ressalta ainda as dificuldades financeiras enfrentadas pelos
municípios e diz que "resta esperar que venha alguma ação financeira da
União, algum dinheiro a mais para que facilite aos gestores entregar as
prefeituras sanadas".
Juazeiro do Norte
Questionado sobre
em quais municípios as fiscalizações presenciais ocorreram ontem, Plácido
Barroso Rios, revelou apenas que Juazeiro do Norte é uma das localidades
vistoriadas. "Em breve, divulgaremos as outras", diz.
Presente no evento,
o atual prefeito de Juazeiro do Norte, Raimundo Macêdo - que desistiu de
concorrer no último pleito municipal - disse apenas que "está convicto que
cumpriu sua missão e o tempo vai dizer se ele tinha razão ou não".
Obrigações dos prefeitos:
1.Cumprir as metas
fiscais;
2.Preservar o
patrimônio público, incluindo os documentos;
3.Manter os
registros contábeis atualizados e íntegros;
4.Garantir o
pagamento de pessoal;
5. Atualizar os
inventários;
6.Não realizar
operações de crédito por antecipação de receita orçamentária;
7. Limitar as
despesas que possam resultar em restos a pagar.