Chegou ao fim a greve dos agentes penitenciários do estado do
Ceará na noite de sábado (21). Após 19 horas de paralisações e uma reunião com
a cúpula do governo estadual, a categoria aceitou a contraproposta do governo.
A
principal reivindicação dos agentes era o reajuste de 100% da gratificação por
atividade de risco. Em entrevista coletiva, o secretário de Justiça, Hélio
Leitão, disse que a contraproposta do governo é dar um reajuste escalonado da
gratificação.
Rebeliões
Durante
a manhã de sábado, rebeliões em série ocorreram nas unidades prisionais CPPL I,
II, III e IV e no presídio feminino, todos localizados em Itaitinga, a 32
quilômetros de Fortaleza. Tudo começou após os agentes penitenciários impedirem
a visita dos familiares aos detentos logo no início da manhã.
O
Ministério Público Estadual do Ceará vai abrir investigação para apurar as
responsabilidades pelos atos. O órgão aponta que pelo menos quatro pessoas
morreram nas rebeliões. A Secretaria de Justiça diz que, até o momento, foram
registradas duas mortes nos presídios.
O
secretário de Justiça atribui a responsabilidade pelos danos, tanto de vidas,
quanto de patrimônio público, aos agentes penitenciários que, mesmo após a
Justiça determinar ilegal a greve, seguiu com o movimento.
A greve
afetou também a unidade prisional conhecida como Carrapicho, em Caucaia. Lá,
agentes encapuzados impediram a entrada dos visitantes.
Segundo o sindicato dos agentes penitenciários, 43 cadeias em
todo o estado foram afetadas pela paralisação. A tensão também aconteceu em
outras regiões do estado, não só na Região Metropolitana.
Até o
final da tarde de sábado, 12 detentos estavam foragidos da cadeia pública de
Camocim, no litoral oeste do estado. A unidade tinha 163 internos, mais do que
o dobro da capacidade, que é de 67. Ao todo, 19 presos conseguiram escapar. A
fuga ocorreu após um motim, que começou as 23h de sexta-feira (19), quando os
internos atearam fogo aos colchões e impediram a entrada do reforço policial.
A PM
segue reforçando o policiamento da unidade. A visita, que ocorria no sábado,
foi suspensa, o que provocou protesto de familiares, dissipado ao longo do dia.