O empresário Renan Montenegro Braga, os dois filhos dele Renan
Montenegro Braga Filho, Hermes Falcão Braga e mais catorze pessoas foram
condenadas pela Justiça Federal no Ceará acusadas de integrar um grupo
criminoso especializado no contrabando de bebidas, na falsificação de selos
fiscais, rótulos, assim como na comercialização desses produtos no território
nacional. As penas impostas pelo juiz Danilo Fontenelle Sampaio, da 11ª Vara,
aos 17 réus ultrapassam 107 anos de reclusão.
As investigações
que culminaram com a desarticulação do grupo começaram em 2005 a partir de
informações que partiram de relatórios do Escritório de Pesquisa e Investigação
(Espei) da 3ª Região Fiscal, em Fortaleza. O relatório resultou na instauração
do Inquérito Policial. Inicialmente, havia indícios de prática de infrações
penais, em especial, descaminho e crime contra a ordem tributária, tendo como
suspeitos os réus Paulo Souza Barbosa Júnior e Antônio Bastos Santiago.
Um dos indícios dos
relatórios apontava uma considerável desproporção entre os rendimentos
declarados e as movimentações financeiras dos investigados e de seus
familiares. Segundo o Ministério Público Federal, Antônio Bastos Santiago seria
‘cabeça’ da quadrilha que era especializada no descaminho e contrabando de
bebidas, bem como, de adquirir e opor, nas referidas bebidas, selos fiscais e
rótulos falsificados em gráficas especializadas, com o objetivo de vender os
produtos em Fortaleza.
As bebidas
alcoólicas eram adquiridas no Suriname, país da América do Sul e transportadas
de barco até Belém do Pará. Do Norte, as mercadorias seguiam para Fortaleza por
via terrestre. Um esquema de proprina também existia para a liberação da
mercadoria em caso de alguma fiscalização aduaneira.
Com o avanço das
investigações, os agentes federais descobriram por meio das diligências e de
interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, como funcionava o esquema.
De quem eram os barcos que saíam do Suriname. Quem pegava as bebidas no Pará e
enviava para Fortaleza, camufladas em meio a cargas de madeira.
A PF Descobriu
também que os lacres e rótulos eram adquiridos, em São Paulo, e enviados, via
sedex para os revendedores, na capital cearense. Além de Antônio Bastos, o
grupo possuía outros integrantes responsáveis pela logística do contrabando ou
descaminho e também pela falsificação dos lacres e selos fiscais dos
produtos.
Na investigação de
campo, os agentes de Polícia Federal descobriram os receptadores das bebidas
importadas clandestinamente, inclusive que redes de supermercados, promoveram a
compra de bebidas nos locais que eram citados nas conversas telefônicas
interceptadas com autorização judicial.
Os agentes
cumpriram mandados de busca e apreensão nesses estabelecimentos e comprovaram
que as bebidas faziam parte do mesmo lote do material apreendido. Um desses
empreendimentos era a Fort Frut Distribuidora de Alimento Ltda (Supermercados
Chalana), que pertencia a Renan Montenegro Braga e aos filhos dele, Renan Filho
e Hermes Braga. De acordo com trecho da sentença da Justiça Federal, ficou
comprovado que “os uísques expostos à venda no Supermercado ‘Chalana’ eram de
procedência estrangeira e possuíam selos fiscais falsos, o que, por si,
comprova que os responsáveis por tal supermercado cometeram delito de
descaminho e de exposição à venda de produto com aplicação de selo destinado a
controle tributário falsificado”, diz o documento.
Penas
O homem apontado
como cabeça do esquema teve a pena mais “dura” aplicada pelo magistrado. O réu
Antônio Bastos foi sentenciado a 16 anos e oito mês de reclusão, a ser cumprida
em regime inicial fechado.
As outras sanções
maiores foram aplicadas a Renan Montenegro, (10 anos de prisão em regime
fechado), Renan Filho (oito anos e seis meses de prisão) e Hermes Falcão Braga
(oito anos de reclusão), devendo ser cumpridas em regime inicial fechado. A
reportagem tentou contato com os advogados dos réus, mas não obteve
retorno.