Os proprietários de
veículos automotores correm o risco, em 20 estados, de abastecerem os seus
carros com combustível de qualidade duvidosa. O Ceará é um dos Estados sem o
acompanhamento da qualidade da gasolina, álcool e diesel nas bombas dos postos
que funcionam na Grande Fortaleza e cidades do Interior.
Os dados oficiais
apontam que, no mês de agosto, houve uma queda de 53% no número de postos
fiscalizados – a pior média desde o ano de 2002. No Nordeste, desde junho
nenhum posto tem a qualidade avaliada. A Agência Nacional do Petróleo (ANP)
deixou de fazer o monitoramento nos postos de combustíveis após ignorar a
renovação de contratos com universidades responsáveis pelo serviço que impede a
fraude nesses produtos.
Apenas postos de
Minas, São Paulo, Goiás, Tocantins e Rio Grande do Sul foram monitorados em
agosto. Os laboratórios coletaram amostras em postos sorteados entre 18 mil
estabelecimentos – menos da metade do monitoramento realizado no último ano,
quando 25 institutos analisaram postos de 24 Estados e do Distrito Federal. O
monitoramento é anterior à fiscalização. O objetivo é averiguar a qualidade da
gasolina, etanol e diesel, e identificar adulterações. O mapeamento de unidades
sob suspeita é encaminhado à ANP, que pode autuar os postos.
Confirmadas as
fraudes, eles podem ser fechados e os dirigentes, presos. A coordenadora
institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, lembra que os órgãos de defesa do
consumidor podem fiscalizar os postos, mas é a agência que tem o dever legal de
monitorar a qualidade dos produtos. “Caso esse dever seja descumprido, o
Ministério Público Federal poderia ser acionado.”
Por lei, o
monitoramento deve ser feito em todo o País. Acre e Rondônia, entretanto, não
têm avaliação desde 2011. Em março, a Paraíba foi o primeiro Estado a suspender
as coletas. A partir de terça-feira, os postos gaúchos deixam de ser
monitorados. Em São Paulo, as amostras foram reduzidas a um terço desde junho,
quando dois contratos foram encerrados. “A ANP está reestruturando o programa”,
informou a Unesp, responsável pelo monitoramento no interior paulista desde
2001.