Havendo ou não casos de dengue registrados, é
necessário manter o combate ao mosquito Aedes aegypti, ininterruptamente,
durante pelo menos dez anos para controlar a proliferação. A
opinião é do médico infectologista Ivo Castelo Branco, consultor da Organização
Mundial de Saúde (OMS) para a doença. Segundo ele, é necessário um esforço
conjunto e contínuo da população e do Poder Público no combate ao mosquito.
O mosquito prefere água limpa para colocar seus
ovos, e qualquer objeto ou local serve de criadouro. Mesmo numa casca de
laranja ou numa tampinha de garrafa, se houver um mínimo de água parada, seus
ovos se desenvolvem. Mas a falta de água limpa não impede que o Aedes aegypti
se reproduza. Mas, se a verificação e a eliminação dos criadouros for realizada
uma vez por semana, é possível interromper esse processo.
O ovo do mosquito é escuro e menor que um grão de areia, razão pela qual é
difícil enxergá-lo. Ele é depositado nas paredes do criadouro, que deve ser
escovada para a remoção. A partir da eclosão dos ovos, nascem as larvas,
que vivem na água. Por terem tamanho reduzido, semelhante à cabeça de uma
agulha de costura, dificilmente são vistas. Elas não gostam de luz forte, e por
isso fogem para as beiradas quando se abre a caixa d'água, por exemplo.
O médico também alerta que em cidades onde existem problemas de desabastecimento de água – como é o caso de mais de 90% dos municípios cearenses – o problema não se restringe aos meses chuvosos, como comumente a população acredita. “Nos locais onde o abastecimento de água não é regular, a dengue se propaga no ano inteiro, independentemente de ocorrerem chuvas ou não. A gente viu isso, no Sudeste, onde a crise hídrica favoreceu o aumento de casos”, diz.
Outras doenças
No mundo, ele é chamado de mosquito que transmite a febre amarela. No Brasil, é
conhecido como mosquito da dengue da zika e da chikungunya. “O problema dessas
doenças é que elas podem trazer complicações muito sérias. A dengue pode matar.
Com o zika vírus, temos as complicações para as mulheres grávidas, como a
microcefalia e o a síndrome de Guillain Barré, uma doença que ainda conhecemos
pouco. Já a chikungunya, pode dar deformidades articulares meesmo em pessoas
jovens para o resto da vida”, alerta Ivo Castelo Branco.
De acordo com especialistas, Guillain Barré é uma síndrome neurológica que paralisa os membros inferiores, podendo atingir segmentos superiores do corpo, levando, inclusive, a situações de gravidade como a paralisia da respiração.