A Polícia Civil deflagrou, na manhã
de ontem, a operação Game Over (do inglês, “Fim do jogo”), contra esquema de
manipulação de resultados em partidas de futebol. Em meio aos jogos que
estariam sendo investigados a partir de relatório de um site de apostas,
segundo reportagem do GloboEsporte.com, há um que pode impactar o futebol
cearense, inclusive provocando mudanças no Estadual 2017. Trata-se de Itapipoca
4x0 Icasa, realizado no dia 25 de março, pela penúltima rodada do quadrangular
de rebaixamento da Série A estadual.
O Itapipoca precisava vencer com boa
vantagem para tentar escapar da queda. O resultado teve influencia direta na
definição dos rebaixados à Série B do Cearense, já que o Itapipoca empatou em
todos os critérios com o Quixadá e escapou do descenso por ter marcado um gol a
mais. Na ocasião, o Icasa já havia caído.
“Havendo comprovação de manipulação,
é feita denúncia de delito desportivo, que pode gerar anulação da partida,
pagamento de multa e até exclusão dos clubes envolvidos. Caso comprovada a
irregularidade, pode haver sim uma mudança, (com) o Itapipoca sendo rebaixado e
o Quixadá não. Mas não chegou nada oficial ao Tribunal. Temos que aguardar
posicionamentos oficiais”, garantiu o presidente do Tribunal de Justiça
Desportiva de Futebol do Ceará (TJDF-CE), Jamilson Veras.
O presidente interino do Icasa,
Francisco Leite, o “França”, afirmou que o clube ainda não foi notificado sobre
o caso. Contudo, a atual diretoria já trabalha para defender a agremiação das
acusações. Além disso, em caso do Verdão se sentir prejudicado por uma provável
manipulação de resultados, o cartola admitiu que poderá acionar a Justiça
Desportiva para buscar esclarecimentos sobre a disputa do Estadual.
“Eu assumi o Icasa no dia 17 de abril
(após o Estadual). Vim saber dessas histórias agora e passei para o
Departamento Jurídico. Quando houver a notificação, serão tomadas as devidas
providências. Foi uma grande surpresa essa história. Não tenho nem como saber
algo sobre esse caso, pois ninguém da diretoria antiga está mais no clube”,
ressaltou, apontando possíveis responsáveis. “É preciso que o ex-presidente Paz
de Lira, o Émerson Maranhão (ex-diretor de Futebol), essas pessoas de antes,
esclareçam”, complementou.
O POVO entrou em contato com o então
presidente do Verdão, Paz de Lira, que negou qualquer envolvimento. “Nunca
estive ligado a isso. Nem acompanhei a partida. É algo estranho para mim. Estou
no futebol há 25 anos e nunca participei de nada de errado na minha vida”,
garantiu.
A Federação Cearense de Futebol (FCF)
informou que o caso já está sendo avaliado pelo departamento jurídico da
entidade. “O advogado da Federação, Leandro Vásques, irá conhecer os autos dos
procedimentos criminais e dará um posicionamento para a gente. Caso seja
necessário, nós repassaremos toda documentação para colaborar com a Justiça”,
explicou Mauro Carmélio, presidente da FCF.
Procurado pela reportagem, o
presidente do Itapipoca, Márcio Eugênio, não atendeu as ligações. (Colaboraram
Bruno Balacó e Daniel Santos)