O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (14), em
primeiro e em segundo turnos, uma proposta de emenda à Constituição (PEC)
apresentada por Otto Alencar (PSD-BA) que viabiliza a prática da vaquejada - entenda mais abaixo a polêmica em torno do assunto.
Com a aprovação, o texto segue para
análise da Câmara, onde também deverá ser analisado em dois turnos. Para ser
promulgada, a PEC precisará do apoio de, pelo menos, três quintos dos deputados
(308 dos 513).
A PEC estabelece que "não são
cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam
manifestações culturais".
Entenda a
polêmica
Em outrubo do ano passado, o STF derrubou uma lei do Ceará que
regulamentava esse tipo de prática por entender que a atividade impõe
sofrimento aos animais e fere os princípios constitucionais de preservação do
meio ambiente.
Na vaquejada, um boi é solto em uma
pista e dois vaqueiros, montados em cavalos, tentam derrubar o animal pelo
rabo.
Diante da decisão do Supremo, o
Congresso aprovou, um mês depois, uma lei que tornou a vaquejada
manifestação cultural nacional
e patrimônio cultural imaterial. Ainda em novembro de 2016, o presidente Michel
Temer sancionou a lei.
Portanto, se o Senado e a Câmara
aprovarem a PEC, levando-a à promulgação, a vaquejada e o rodeio estarão
assegurados pela Constituição.
Os argumentos
Os defensores da PEC aprovada em primeiro turno nesta
terça, entre os quais o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE),
argumentam que a prática faz parte da cultura nordestina e movimenta R$ 600
milhões por ano, além de gerar 120 mil empregos diretos.
"No caso do rodeio e da
vaquejada, manifesta-se a cultura do local, por meio das habilidades
demonstradas pelo peão, das vestimentas utilizadas, da narração do evento, da
música, das comidas e bebidas típicas e busca-se, cada vez mais, preservar a
integridade dos animais", defendeu o relator da proposta, José Maranhão
(PMDB-PB).
"Precisamos derrubar algo que é
muito pior do que derrubar um boi. Precisamos derrubar o preconceito contra a
cultura nordestina", acrescentou Roberto Muniz (PP-BA).
Por outro lado, senadores contrários
ao texto, como a líder do PT, Gleisi Hoffmann (PR), dizem que a vaquejada é
cruel aos animais.
"Se aprovarmos essa proposta, a
Constituição vai dizer que manifestações culturais não causam dor aos animais,
ainda que causem [...] Não é verdade que a vaquejada não causa nenhum prejuízo
ao animal, causa problema de medula, nas articulações, arrancamento de
rabo", disse a senadora. "Por que temos que nos divertir com a dor
dos animais?", completou.
"É preciso distinguir o que é
manifestação cultural e o que é prática reiterada de maus tratos a
animais", declarou Randolfe Rodrigues (Rede-AP), contrário à proposta.
O texto aprovado em primeiro turno
nesta terça também diz que as manifestações culturais envolvendo animais
"devem ser regulamentadas em lei específica que assegure o bem-estar dos
animais envolvidos".