A presidente Dilma
Rousseff não quer perder tempo nas mudanças das regras da aposentadoria. O
desafio é encontrar um caminho que garanta equilíbrio aos cofres da Previdência
Social. Com essa missão, o Governo Federal estuda a instituição da idade mínima
e a unificação das regras para os trabalhadores urbanos e rurais, dos setores
público e privado, se aposentarem.
Os estudos dos
Ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Previdência Social indicam, pelas
primeiras informações, que as novas regras entrarão em vigência no prazo de 20
anos. As mudanças não afetariam os trabalhadores a caminho da aposentadoria. Os
jovens que estão ingressando no mercado de trabalho terão, porém, em duas ou
três décadas, nova legislação previdenciária.
Segundo um
levantamento do Jornal Folha de São Paulo, edição desta terça-feira, um dos
efeitos da padronização de regras seria a fixação, para todos os trabalhadores
do país, de uma mesma idade mínima de aposentadoria –ou de um mecanismo que
atinja, na prática, o mesmo objetivo.
Hoje, pelas regras
vigentes, no caso dos servidores públicos, essa idade, em geral, é de 55 anos
para mulheres e 60 para homens, mas não há essa exigência para trabalhadores
sob o regime do INSS.
Quanto as propostas
que sugerem mudanças nos critérios da aposentadoria rural, a resistência de
sindicatos é inevitável. Os trabalhadores consideram que, ao invés de mudar as
regras para emissão de benefício, o Governo Federal arrecade mais para bancar a
conta do INSS.
O conflito nesse
campo é real. Se for para cobrar mais do agronegócio, a reação surge dentro do
próprio Governo Federal. A Ministra da Agricultura, Kátia Abreu, se opõe a
oneração do setor agrícola. Segundo ela, o agronegócio que está sustentando o
País não deve ser penalizado.
O dilema para o
Governo Federal é driblar as divergências e encontrar uma saída. Os cálculos
apontam que, em 2015, a Previdência Urbana foi superavitária em R$ 5,1 bilhões,
e a rural registrou um deficit de R$ 91 bilhões.