A Justiça Federal
do Paraná concedeu nessa segunda-feira (14) o depoimento prestado pelo
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Polícia Federal (PF) no último dia 4.
Ele prestou depoimento quando a PF iniciou a 24ª fase da Operação Lava Jato,
denominada Aletheia, que apura pagamento de empreiteiras por palestras de
Lula e repasse de construtoras ao Instituto Lula.
Na declaração, Lula
foi questionado sobre o apartamento tríplex no Guarujá (SP). De
acordo com promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo, o aposento
tríplex seria “destinado” ao ex-presidente Lula e sua família.
Lula disse que o
apartamento não pertence a ele e que não ficaria com o imóvel por ser pequeno.
“Era muito pequeno,
os quartos, era a escada muito, muito… Eu falei ‘Léo, é inadequado para um
velho como eu, é inadequado. ’ O Léo falou ‘Eu vou tentar pensar um projeto pra
cá. ’ Quando a Marisa voltou lá não tinha sido feito nada ainda. Aí eu falei
pra Marisa: ‘Olhe, vou tomar a decisão de não fazer, eu não quero’”, disse o ex-presidente
em seu depoimento.
Além da
infraestrutura do apartamento, Lula disse, ainda, que concluiu ser “inútil” ter
um apartamento na praia. “Uma das razões é porque eu cheguei à conclusão
que seria inútil pra mim um apartamento na praia, eu só poderia frequentar a
praia no dia de finados, se estivesse chovendo. Então, eu tomei a decisão de
não ficar com o apartamento”, afirmou.
No depoimento, o
ex-presidente fez várias críticas, inclusive, a muitos que pensam que o imóvel
seria dele. Sobre o sítio em Atibaia, afirmou que pertence a Fernando Bittar e
Jonas Suassuna. “Eu, na verdade, quero falar pouco do sítio, porque eu não vou
falar do que não é meu. Quando vocês entrevistarem os donos do sítio eles
falarão pelo sítio”. Lula confirmou que frequentava a localidade.
Ao responder uma
pergunta do delegado sobre João Vaccari Neto [tesoureiro do Partido dos
Trabalhadores] e a afirmação de delatores sobre a responsabilidade de Vaccari
“para recebimento de valores decorrentes de fechamento de contrato de percentual”
e se o ex-presidente teria conhecimento sobre isso, Lula explicou que Vaccari
era um “companheiro extraordinário” e que não acredita que ele tenha acertado
percentuais com empresas. Lula criticou a imprensa.
“Eu não acredito
que o Vaccari tenha acertado percentual com empresa para receber, não acredito,
não acredito. Acontece que no Brasil nós estamos vivendo um período, desde o
mensalão, que as pessoas não têm que ser culpadas; ele não será condenado pelo
julgamento apenas, ele será condenado pelas manchetes dos jornais”.
O ex-presidente
conclui dizendo que será candidato nas próximas eleições. “É o que estão
tentando fazer comigo agora, só que o que estão tentando fazer comigo vai fazer
com que eu mude de posição, eu que estou velhinho, estava querendo descansar,
vou ser candidato à Presidência em 2018 porque acho que muita gente que fez
desaforo pra mim vai aguentar desaforo daqui pra frente. Vão ter que ter
coragem de me tornar inelegível”.