Na piscicultura, um
dos maiores desafios é encontrar um ponto de equilíbrio entre a quantidade de
ração oferecida e o crescimento dos peixes. Praticamente todas as espécies são
bastante sensíveis a uma série de fatores, entre eles, a quantidade ideal de
alimento, pequenas mudanças na temperatura da água e no nível de oxigênio.
Agravado a estes fatores, está a estiagem que se estende por cinco anos no
Ceará. As perdas na produção da tilápia, por exemplo, atingiram quase 100% esse
ano, alertam piscicultores da região Jaguaribana.
Com a escassez de
chuvas, os níveis nos reservatórios do Estado baixaram consideravelmente e
atingiram, sobremaneira, a criação da espécie, como foi o caso do Castanhão,
maior produtor do gênero no Ceará. O reservatório respondia por pelo menos 50%
da produção de tilápia , entretendo, com o baixo volume do açude, que atingiu
seu pior índice dos últimos 12 anos, com apenas 8,2% de sua capacidade total, a
criação atualmente é mínima e os produtores amargam prejuízos cada vez maiores.
Segundo os
piscicultores, as perdas este ano deixam um cenário de incertezas para o setor.
Em 2015, apontam, a situação foi igualmente desoladora, com mortandade de três
mil toneladas nos parques aquícolas que beneficiariam os municípios de
Jaguaribara, Jaguaretama, Alto Santo e Jaguaribe. A realidade assusta,
sobretudo, para quem há pouco tempo produzia quantidades elevadas. Em 2014, por
exemplo, foram mais de 12 mil toneladas produzidas, reunindo 670 piscicultores.
Iniciativa
Diante desse
panorama desfavorável, uma iniciativa cearense promete auxiliar os produtores
de peixe, principalmente, da tilápia. Alunos dos cursos de Zootecnia e Sistemas
de Informação (SI) do Instituto Federal do Ceará (IFCE), campus do Crato,
lançaram um aplicativo para ajudar produtores de espécie a medir a quantidade
de ração utilizada. O sistema automatiza o cálculo de ração de acordo com o
peso atual da produção de tilápia e permite que o produtor acompanhe as
biometrias da produção.
A elaboração do projeto,
que contou com a participação de dois docentes e três acadêmicos, durou cerca
de um ano, desde a fase da concepção ao lançamento do protótipo que será
testado a partir de agosto. Um dos coordenadores do projeto, o professor de
Zootecnia Messias Alves, explica que o sistema facilita a rotina do produtor ao
automatizar os cálculos, que são complicados manualmente.
Experiência
A ideia para o
aplicativo, ainda de acordo com Messias, surgiu das experiências em campo.
"A gente observava, durante as pesquisas, os trabalhos de extensão, as
visitas técnicas, que os produtores gastavam um bom tempo anotando os dados da
produção. Com isso, nós tivemos a ideia de desenvolver um programa que pudesse
acompanhar essa produção. O produtor faz a biometria, que é a pesagem dos
peixes, e registra no programa, que faz os cálculos de quanto eles vão precisar
de ração para aquele determinado período", explica.
O professor de
Sistemas de Informação, Talles Brito, conta que durante seis meses do ano
passado, a equipe se reuniu para debater as demandas da produção de tilápia e
entender de que forma os conhecimentos de SI poderiam ajudar os produtores,
para decidir como o sistema deveria ser projetado. "Foi durante esse
período que ultrapassamos uma barreira importante: a linguagem técnica. Cada um
acabou aprendendo sobre os termos técnicos e os conceitos utilizados na outra
área", relata.
Os seis meses
seguintes foram de construção do aplicativo intitulado "Sismant".
Conforme explica Talles , o aluno da Zootecnia entrou com a parte da produção e
o de Sistemas buscou ferramentas dentro da informática para desenvolver o
aplicativo.
Responsável pela
criação gráfica do projeto, como logos, cores e o site de apresentação, o
estudante de SI, Afonso Henrique Calábria, se mostrou feliz com o resultado.
"Trabalhar em um projeto real e relativamente inovador nos motiva",
pontuou.
Apesar de ainda
está na fase de avaliação, o programa já está disponível para usuários Android
e pode ser acessado também em qualquer navegador web através do endereço
eletrônico sismant.Crato.Ifce.Edu.Br.
Benefícios
Na concepção de
Brito, o qual ficou encarregado de coordenar a parte prática da ferramenta, o
aplicativo possibilitará uma evolução na produção de tilápia com menos custos.
O professor de Sistemas de Informação, Talles Brito, ficou encarregado de
coordenar a parte prática. Ele ressalta outro benefício importante do
aplicativo, ao destacar que o sistema também armazena o histórico de cálculos
de biometria e disponibiliza uma curva de crescimento que quantifica o ganho de
peso da produção.