A cena parece sair de um filme de ficção científica: zumbido semelhante
ao de moscas voando em sincronia, odor de plástico queimado, movimentos
coordenados de engrenagens multicoloridas e uma máquina que cria estruturas
sobre uma superfície espelhada. Tudo isso, no entanto, é realidade e acontece
no Laboratório de Prototipagem do Campus de Cedro do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).
Os alunos William Souza, Geilson Gomes e Carlos Ernandes da Silva,
estudantes do 7º semestre de Mecatrônica Industrial, com a orientação do
professor Rodrigo Tavares, finalizaram aprimeira de três impressoras
3D para a unidade. A impressora foi montada com engrenagens e produzida por
outra impressora 3D, de propriedade do docente. “A ideia é que a gente possa
fazer outra igual a essa impressora usando só ela como ferramenta”, explica
Rodrigo.
A matéria-prima utilizada para que o equipamento confeccione a impressora
são filamentos de plástico ABS. O processo de criação faz parte de
um projeto em 3D desenhado em softwares específicos. O desenho é enviado para
um programa “fatiador”, que transforma o arquivo em uma série de comandos para
fazer camadas e então transfere as “ordens” para a impressora.
O dispositivo possui um sistema de roldanas que traciona o fio de
plástico e o injeta em uma espécie de bico, onde é aquecido a uma
temperatura de 225ºC e se transforma em uma fibra ainda mais fina. Com o
material que fica derretido, a impressora desenha as camadas da peça
feitas no computador, uma por cima da outra, em uma superfície aquecida que
possibilita a adesão do plástico.
De acordo com o professor Rodrigo Tavares, a impressora 3D é uma
ferramenta muito útil para quem trabalha com mecatrônica ou mecânica. “Você
consegue construir peças de forma rápida e num espaço de tempo
muito pequeno. É muito mais fácil você desenhar uma peça num programa e
colocá-la para ser impressa numa impressora 3D do que usinar esse material”,
explica.
Rodrigo destaca que não há restrição quanto ao uso da máquina.
“As impressoras vão ser utilizadas para fazer pesquisas, produzir artefatos
para aulas como peças mecânicas ou modelos de célula, o que for preciso. Podem
fazer estruturas para que pessoas com deficiência visual entendam determinados
conceitos, jogos de formas geométricas, as possibilidades são infinitas”,
finaliza.