Após a aprovação da
vacina contra a dengue no Brasil, o diretor-presidente da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), Ivo Buscaresky, e Daniela Cerqueira, da gerência
de produtos biológicos do órgão, disseram, em entrevista coletiva, que a rede
pública de saúde terá prioridade para o uso da vacina, que ainda não tem preços
definidos – o prazo para determinação do valor é de 90 dias, e, após esse
período, começarão as discussões sobre financiamento e comercialização.
Além disso, a
Anvisa esclareceu que a imunização só é efetiva se as três doses da vacina
forem tomadas, em intervalos de seis meses. Grávidas, mães que amamentam e
fenilcetonúricos não podem tomar a vacina, que somente oferece proteção contra
os quatro sorotipos do vírus da dengue, e não para as outras doenças
transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como zika e chikungunya.
A vacina contra as
doenças causadas pelo mosquito Aedes Aegypti foi aprovada pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta segunda-feira (28/12). A autorização,
publicada no Diário Oficial da União, permite o fabricante Sanofi Pasteur a
comercializar a vacina Dengvaxia contra quatro tipos da dengue (DEN-1, DEN-2,
DEN-3 e DEN-4). No início deste mês, o México e as Filipinas também aprovaram o
uso do medicamento.
A vacina levou 20
anos para ser elaborada. Participaram dos testes mais de 40 mil pessoas pelo
mundo — sendo que 29 mil tomaram o medicamento —, de 15 países, incluindo o
Brasil. O estudo sobre a eficácia do remédio foi publicado no The New
England Journal of Medicine, em julho deste ano.
O medicamento
apresenta um índice de proteção de cerca de 66%. O grupo brasileiro teve uma
resposta maior aos testes, mas a média foi influenciada por um grupo da
Tailândia que não reagiu bem ao antídoto. Nas pesquisas, constatou-se que a
vacina preveniu a hospitalização em 80% dos casos e diminuiu em 93% a
ocorrência da dengue hemorrágica. O Brasil registrou mais de 1,5 milhão de
casos de dengue até o final de novembro, com mais de 800 mortes.