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Família de bebê que não acorda gasta R$ 280 por dia

Antigo quarto da mãe foi transformado em mini-hospital para atender Laurinha

Laurinha mobilizou a oração de mais de 100 mil pessoas ao redor do mundo, mas, até agora, não acordou. A família, no entanto, não perde as esperanças e, desde que a menina nasceu, em 6 de fevereiro de 2014, vive em função da fé. Já são dois anos de luta – da menina e dos familiares. Laurinha mostra força no simples gesto de apertar o dedo de alguém, enquanto os familiares garantem valer a pena o esforço para sustentar uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) montada dentro de casa.

Ela abre os olhos, mas não se orienta.Está gordinha, chora e faz xixi. Traz alegria aos familiares com qualquer sinal de vitalidade. Viver, de fato, Laurinha ainda não conseguiu. Todos ao redor dela tentam reverter esse quadro seja qual for a dificuldade ou a probabilidade, mesmo sem ajuda alguma dos supostos culpados pela perda da mãe e do quadro da bebê.

A avó Julita Teixeira Praciano tornou-se um anjo da guarda da menina. Dedica as 24 horas do dia aos cuidados da neta. E são 24 horas mesmo, porque Dona Julita mal dorme. “Ela é linda, toda perfeita, desenvolvimento além da medida. Mas você passar o dia inteiro olhando para uma criança que poderia estar correndo, começando a falar, estudando, é muito complicado. Ela já perdeu a primeira fase da vida”, lamenta.

Na tentativa de dar à criança as novas fases da vida que virão, a família gasta diariamente R$ 280, de domingo a domingo, para manter uma UTI na residência, localizada no Bairro Meireles, em Fortaleza. O antigo quarto da mãe foi transformado em um mini-hospital para atender as necessidades da Laurinha.

Os custos não incluem alimentação, medicamentos, energia (que já ultrapassa os R$ 700 mensais) e as consultas médicas particulares com os nove profissionais de saúde que acompanham Laurinha: terapeuta ocupacional, oftalmologista, urologista, neurologista, dentista, pediatra, fisioterapeuta e pneumologista.

“Se o dia tivesse 40 horas, em todas elas estaria com a Laurinha. Dou o que tiver de melhor, porque Deus vai ajudar” (Julita Praciano, avó)

“A despesa é muito alta. As consultas variam de R$ 500 a R$ 700, cada médico. Se a gente somar o que gasta por mês, não sabe como está dando para pagar. Não recebemos nenhum tipo de ajuda, vamos nos ‘rebolando’ de todo jeito. Tem o salário do pai dela, o meu, o da tia dela e o de alguns familiares, que ajudam como podem”, conta Julita.

Mesmo assim, a avó garante não se incomodar com os gastos nem com as horas que precisa dedicar à neta. Tudo vale a pena para alimentar a esperança de, um dia, ver a neta respirando sem a ajuda de aparelhos. “Estou atrás de tudo, não quero saber o que é ou quanto é. Quem precisa, na íntegra, de mim, é ela. Se o dia tivesse 40 horas, em todas elas estaria com a Laurinha. Dou o que tiver de melhor, porque Deus vai ajudar”, desabafa emocionada.

‘Respira, Laurinha’

A avó, o pai de Laurinha, Ádamo Cruz, e a tia Rafaela fazem revezamento nos cuidados. A bebê só consegue se alimentar por meio de uma sonda e respirar com a ajuda de aparelhos, o que dificulta os exercícios de fisioterapia e as ações básicas que poderiam ser feitas pela família, como colocar Laurinha no braço, deitar em uma rede ou até mesmo dormir ao lado dela.

O desejo é conseguir, aos poucos, retirar o traqueóstomo [recurso usado para facilitar a chegada de ar aos pulmões] e fazer com que a criança respire sem a necessidade do equipamento. Para isso, é feito o chamado ‘desmame’. O tratamento segue o lema de ‘um dia de cada vez’, eLaurinha já atinge 39 minutos respirando sozinha.

O desligamento da bebê ao aparelho ajudaria nos movimentos, nas terapias e possibilitaria também a ida ao hospital para as consultas. “Ela fica na cama direto. Para dar banho, é preciso colocar a banheira ao lado do berço. É bem limitado”, explica o tio Romeu Praciano.

Agora, a mobilização passou a ser “Respira, Laurinha”. “A gente conseguir isso seria um presente, porque poderíamos colocá-la no braço, deitar com ela. Seria bom demais. Ela ia sentir mais, conseguir interagir com a gente”, completa.

Laurinha chora, abre os olhos e faz as necessidades fisiológicas. São o suficiente para a família já comemorar. “A gente comemora no xixi, no cocô, nos poucos reflexos que ela tem. Tudo que a gente vê a gente comemora, porque isso tudo é vida”.

Mobilização na internet

O despertar seria um verdadeiro milagre, reconhece a família. Milagre esse esperado por mais de 100 mil pessoas no grupo do Facebook “Acorda, Laurinha”. Internautas tocados pela história demonstram amor, por meio de palavras de conforto e mensagens repletas de energias positivas e, principalmente, de fé. A força dada por eles tem ajudado a família na convivência com a situação.

O nascimento de Laura Praciano Cruz veio junto à morte da mãe, Paula Praciano. A família, no entanto, não teve tempo de viver o luto. Por mais que tente esquecer o que houve, constantemente relembra o que aconteceu e revive toda a história, dia a dia.

“Eu não me animo para fazer nada. Sinto muita saudade da minha filha. A Laurinha é um pedaço da Paula que ficou aqui. Peço que ela continue morando dentro de mim para que eu consiga cuidar da filha dela. Nada que faço é um sacrifício para mim: eu vivo pela Laurinha”, assegura Julita.

A situação de Laurinha, segundo os parentes, teria sido provocada por um erro médico. Paula teria sofrido um choque anafilático devido à alergia a uma medicação aplicada horas antes do procedimento. Em razão disso, Laurinha não recebeu oxigênio da mãe e teve um edema cerebral.

“Todo dia, acordo com a sensação de que é um pesadelo, e lembro que é verdade. Muitas vezes, a gente não entende o porquê de passar por isso, mas Deus segura a mão da gente. Penso que temos dois anjos:um no céu, que é a minha irmã, e um na terra, que é a Laurinha”, conclui o tio.

05 de FEV de 2016 às 08:36:55
Fonte: Tribuna do Ceará
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Laurinha mobilizou a oração de mais de 100 mil pessoas ao redor do mundo, mas, até agora, não acordou. A família, no entanto, não perde as esperanças e, desde que a menina nasceu, em 6 de fevereiro de 2014, vive em função da fé. Já são dois anos de luta – da menina e dos familiares. Laurinha mostra força no simples gesto de apertar o dedo de alguém, enquanto os familiares garantem valer a pena o esforço para sustentar uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) montada dentro de casa.

Ela abre os olhos, mas não se orienta.Está gordinha, chora e faz xixi. Traz alegria aos familiares com qualquer sinal de vitalidade. Viver, de fato, Laurinha ainda não conseguiu. Todos ao redor dela tentam reverter esse quadro seja qual for a dificuldade ou a probabilidade, mesmo sem ajuda alguma dos supostos culpados pela perda da mãe e do quadro da bebê.

A avó Julita Teixeira Praciano tornou-se um anjo da guarda da menina. Dedica as 24 horas do dia aos cuidados da neta. E são 24 horas mesmo, porque Dona Julita mal dorme. “Ela é linda, toda perfeita, desenvolvimento além da medida. Mas você passar o dia inteiro olhando para uma criança que poderia estar correndo, começando a falar, estudando, é muito complicado. Ela já perdeu a primeira fase da vida”, lamenta.

Na tentativa de dar à criança as novas fases da vida que virão, a família gasta diariamente R$ 280, de domingo a domingo, para manter uma UTI na residência, localizada no Bairro Meireles, em Fortaleza. O antigo quarto da mãe foi transformado em um mini-hospital para atender as necessidades da Laurinha.

Os custos não incluem alimentação, medicamentos, energia (que já ultrapassa os R$ 700 mensais) e as consultas médicas particulares com os nove profissionais de saúde que acompanham Laurinha: terapeuta ocupacional, oftalmologista, urologista, neurologista, dentista, pediatra, fisioterapeuta e pneumologista.

“Se o dia tivesse 40 horas, em todas elas estaria com a Laurinha. Dou o que tiver de melhor, porque Deus vai ajudar” (Julita Praciano, avó)

“A despesa é muito alta. As consultas variam de R$ 500 a R$ 700, cada médico. Se a gente somar o que gasta por mês, não sabe como está dando para pagar. Não recebemos nenhum tipo de ajuda, vamos nos ‘rebolando’ de todo jeito. Tem o salário do pai dela, o meu, o da tia dela e o de alguns familiares, que ajudam como podem”, conta Julita.

Mesmo assim, a avó garante não se incomodar com os gastos nem com as horas que precisa dedicar à neta. Tudo vale a pena para alimentar a esperança de, um dia, ver a neta respirando sem a ajuda de aparelhos. “Estou atrás de tudo, não quero saber o que é ou quanto é. Quem precisa, na íntegra, de mim, é ela. Se o dia tivesse 40 horas, em todas elas estaria com a Laurinha. Dou o que tiver de melhor, porque Deus vai ajudar”, desabafa emocionada.

‘Respira, Laurinha’

A avó, o pai de Laurinha, Ádamo Cruz, e a tia Rafaela fazem revezamento nos cuidados. A bebê só consegue se alimentar por meio de uma sonda e respirar com a ajuda de aparelhos, o que dificulta os exercícios de fisioterapia e as ações básicas que poderiam ser feitas pela família, como colocar Laurinha no braço, deitar em uma rede ou até mesmo dormir ao lado dela.

O desejo é conseguir, aos poucos, retirar o traqueóstomo [recurso usado para facilitar a chegada de ar aos pulmões] e fazer com que a criança respire sem a necessidade do equipamento. Para isso, é feito o chamado ‘desmame’. O tratamento segue o lema de ‘um dia de cada vez’, eLaurinha já atinge 39 minutos respirando sozinha.

O desligamento da bebê ao aparelho ajudaria nos movimentos, nas terapias e possibilitaria também a ida ao hospital para as consultas. “Ela fica na cama direto. Para dar banho, é preciso colocar a banheira ao lado do berço. É bem limitado”, explica o tio Romeu Praciano.

Agora, a mobilização passou a ser “Respira, Laurinha”. “A gente conseguir isso seria um presente, porque poderíamos colocá-la no braço, deitar com ela. Seria bom demais. Ela ia sentir mais, conseguir interagir com a gente”, completa.

Laurinha chora, abre os olhos e faz as necessidades fisiológicas. São o suficiente para a família já comemorar. “A gente comemora no xixi, no cocô, nos poucos reflexos que ela tem. Tudo que a gente vê a gente comemora, porque isso tudo é vida”.

Mobilização na internet

O despertar seria um verdadeiro milagre, reconhece a família. Milagre esse esperado por mais de 100 mil pessoas no grupo do Facebook “Acorda, Laurinha”. Internautas tocados pela história demonstram amor, por meio de palavras de conforto e mensagens repletas de energias positivas e, principalmente, de fé. A força dada por eles tem ajudado a família na convivência com a situação.

O nascimento de Laura Praciano Cruz veio junto à morte da mãe, Paula Praciano. A família, no entanto, não teve tempo de viver o luto. Por mais que tente esquecer o que houve, constantemente relembra o que aconteceu e revive toda a história, dia a dia.

“Eu não me animo para fazer nada. Sinto muita saudade da minha filha. A Laurinha é um pedaço da Paula que ficou aqui. Peço que ela continue morando dentro de mim para que eu consiga cuidar da filha dela. Nada que faço é um sacrifício para mim: eu vivo pela Laurinha”, assegura Julita.

A situação de Laurinha, segundo os parentes, teria sido provocada por um erro médico. Paula teria sofrido um choque anafilático devido à alergia a uma medicação aplicada horas antes do procedimento. Em razão disso, Laurinha não recebeu oxigênio da mãe e teve um edema cerebral.

“Todo dia, acordo com a sensação de que é um pesadelo, e lembro que é verdade. Muitas vezes, a gente não entende o porquê de passar por isso, mas Deus segura a mão da gente. Penso que temos dois anjos:um no céu, que é a minha irmã, e um na terra, que é a Laurinha”, conclui o tio.

05 de FEV de 2016 às 08:36:55
Fonte: Tribuna do Ceará