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Envolvidos em fraude elegem suas esposas

Ex-vereadores de Juazeiro do Norte, impedidos de serem candidatos, lançaram familiares à disputa

Duas semanas após a realização das eleições municipais, que elegeram vereadores e prefeitos da maioria das 5.568 cidades brasileiras, com exceção dos 55 municípios onde haverá segundo turno, algumas particularidades chamam a atenção do eleitor. Elas vão desde a derrota de grandes oligarquias familiares; passando por candidato obtendo a mesma votação, sendo, assim, eleito aquele mais velho; a postulantes que não puderam concorrer por problemas com a Justiça ou a legislação eleitoral, mas, que diante da proibição, lançaram e elegeram seus parentes.

Casos emblemáticos aconteceram nas duas principais cidades do Cariri cearense. Em Juazeiro do Norte, dois vereadores impedidos de concorrerem ao pleito lançaram suas esposas e as elegeram com significativa votação, apesar de disputarem o pleito pela primeira vez.

Aninha Teles (PDT), esposa do ex-vereador Antônio Alves de Almeida, o Antônio de Lunga, do PSDB, foi eleita na sétima colocação com 2.681 votos, o que representa 2,05% do total válido. Rosane Macedo, esposa do também ex-vereador Ronaldo Gomes Lira, conhecido como Ronnas Motos (PMDB), ficou na 16ª posição, eleita com 2.115 votos, totalizando 1,65%. Em comum entre as duas, está o fato de que seus maridos estiveram envolvidos no escândalo que ficou nacionalmente conhecido como "Farra das Vassouras".

Apesar de ambos os parlamentares terem sido afastados por três vezes, desde a revelação da fraude, em agosto de 2013, suas indicações políticas deram certo. Aninha rechaça a ligação com o marido e se defende dizendo que "são pessoas e atitudes diferentes", mesmo havendo grau de parentesco. Ela ressalta, entretanto, que o caso ainda está em investigação "e nada se comprovou definitivamente contra Lunga". Para o mandato de quatro anos, a vereadora eleita promete dar atenção às questões sociais na cidade, com foco para as comunidades mais carentes.

Crato

Além da esposa, Antônio de Lunga terá outro parente assumindo o cargo de vereador no Cariri. O irmão do ex-presidente da Câmara de Juazeiro, José João Alves de Almeida, conhecido popularmente como Lunga (PSD), foi eleito na sétima posição em Crato, com 1.106 votos, totalizando 1,64% dos votos válidos.

Antes das eleições deste ano, Lunga pertencia ao domicilio eleitoral de Juazeiro, onde já foi vereador por duas vezes, assumindo, inclusive, a presidência da Câmara Municipal em 2003, de onde foi afastado após denúncias de improbidade administrativa. Quase dez anos depois, Lunga também foi apontado, pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), como um dos participantes do escândalo da compra indevida de materiais de limpeza. Na oportunidade, a Casa era presidida pelo irmão, Antônio de Lunga.

A reportagem do Diário do Nordeste tentou contato, por telefone, com Rosane Macedo, uma das cinco mulheres eleitas em Juazeiro e que também está entre os nomes novos que comporão a Câmara de Vereadores, e com Lunga, cotado para assumir a presidência da Câmara de Crato. No entanto, as ligações não foram atendidas.

Farra da Vassouras

Antônio de Lunga e Ronnas Motos foram acusados pelo MPCE de participação em um esquema fraudulento de compra exagerada de materiais de limpeza para o Legislativo, conhecido como "escândalo das vassouras". O caso, que ganhou repercussão nacional, passou a ser investigado em agosto de 2013, após denúncia do vereador Danty Benedito (PMN), que noticiou a compra de 4,2 mil vassouras, 2,5 mil quilos de sabão em pó, 33 mil unidades de palha de aço, dentre outros itens, pelo então presidente da Câmara, Antônio de Lunga.

Além dos dois parlamentares, Cícero Jadson Pereira Maia, Marcos Raniere Parente, Silvano Alves de Sousa, Herbete de Morais Bezerra e José João Alves de Almeida, o Lunga, também foram apontados como participantes dos supostos crimes.

Afastamento

No final de junho deste ano, a juíza da 3ª Vara Cível de Juazeiro do Norte, Samara de Almeida Cabral, determinou a prorrogação do afastamento dos dois vereadores por mais 180 dias. Em sua decisão, a magistrada pontua que "no caso dos autos, os agentes políticos citados já foram afastados por duas vezes, tendo, inclusive, o Tribunal de Justiça confirmado a decisão monocrática, argumentando que os indícios de prática de atos de improbidade administrativa são fortíssimos e o Judiciário não pode coadunar com essa conduta, sob pena de ver a impunidade triunfar".

Ela também pontua que "o processo diante de sua complexidade documental e do número de réus ainda não pode ser sentenciado, todavia constam nos documentos anexados provas de que Antonio e Ronaldo, atuais vereadores, juntamente com outras pessoas, maioria empresários, utilizavam de notas frias para desviaram dinheiro da Câmara desse Município".

Fraude

O Ministério Público ressalta que há, nos autos, diversas informações que denotam que na gestão do ex-presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, Antônio Alves de Almeida, e do ex-tesoureiro da Casa, Ronaldo Gomes Lira, verificou-se caos administrativo, falsas aquisições exorbitantes de mercadorias, empresas de fachadas que se utilizavam de "laranjas", mercadorias vencidas ou fabricadas após as denúncias dos fatos, além de quantidade exorbitante de materiais para serem utilizados por uma única faxineira/zeladora.

Há nos autos, ainda, uma informação técnica do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM) que diz: "Constatou-se também que foram realizados saques diretamente no caixa da instituição bancária da referida conta, através de cheques emitidos e de transferências bancárias no montante de R$ 1.533.544,21 sem que as desti-nações desses recursos tenham sido informadas no Sistema de Informações Municipais - SIM".

18 de OUT de 2016 às 07:29:01
Fonte: Diário do Nordeste
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Duas semanas após a realização das eleições municipais, que elegeram vereadores e prefeitos da maioria das 5.568 cidades brasileiras, com exceção dos 55 municípios onde haverá segundo turno, algumas particularidades chamam a atenção do eleitor. Elas vão desde a derrota de grandes oligarquias familiares; passando por candidato obtendo a mesma votação, sendo, assim, eleito aquele mais velho; a postulantes que não puderam concorrer por problemas com a Justiça ou a legislação eleitoral, mas, que diante da proibição, lançaram e elegeram seus parentes.

Casos emblemáticos aconteceram nas duas principais cidades do Cariri cearense. Em Juazeiro do Norte, dois vereadores impedidos de concorrerem ao pleito lançaram suas esposas e as elegeram com significativa votação, apesar de disputarem o pleito pela primeira vez.

Aninha Teles (PDT), esposa do ex-vereador Antônio Alves de Almeida, o Antônio de Lunga, do PSDB, foi eleita na sétima colocação com 2.681 votos, o que representa 2,05% do total válido. Rosane Macedo, esposa do também ex-vereador Ronaldo Gomes Lira, conhecido como Ronnas Motos (PMDB), ficou na 16ª posição, eleita com 2.115 votos, totalizando 1,65%. Em comum entre as duas, está o fato de que seus maridos estiveram envolvidos no escândalo que ficou nacionalmente conhecido como "Farra das Vassouras".

Apesar de ambos os parlamentares terem sido afastados por três vezes, desde a revelação da fraude, em agosto de 2013, suas indicações políticas deram certo. Aninha rechaça a ligação com o marido e se defende dizendo que "são pessoas e atitudes diferentes", mesmo havendo grau de parentesco. Ela ressalta, entretanto, que o caso ainda está em investigação "e nada se comprovou definitivamente contra Lunga". Para o mandato de quatro anos, a vereadora eleita promete dar atenção às questões sociais na cidade, com foco para as comunidades mais carentes.

Crato

Além da esposa, Antônio de Lunga terá outro parente assumindo o cargo de vereador no Cariri. O irmão do ex-presidente da Câmara de Juazeiro, José João Alves de Almeida, conhecido popularmente como Lunga (PSD), foi eleito na sétima posição em Crato, com 1.106 votos, totalizando 1,64% dos votos válidos.

Antes das eleições deste ano, Lunga pertencia ao domicilio eleitoral de Juazeiro, onde já foi vereador por duas vezes, assumindo, inclusive, a presidência da Câmara Municipal em 2003, de onde foi afastado após denúncias de improbidade administrativa. Quase dez anos depois, Lunga também foi apontado, pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), como um dos participantes do escândalo da compra indevida de materiais de limpeza. Na oportunidade, a Casa era presidida pelo irmão, Antônio de Lunga.

A reportagem do Diário do Nordeste tentou contato, por telefone, com Rosane Macedo, uma das cinco mulheres eleitas em Juazeiro e que também está entre os nomes novos que comporão a Câmara de Vereadores, e com Lunga, cotado para assumir a presidência da Câmara de Crato. No entanto, as ligações não foram atendidas.

Farra da Vassouras

Antônio de Lunga e Ronnas Motos foram acusados pelo MPCE de participação em um esquema fraudulento de compra exagerada de materiais de limpeza para o Legislativo, conhecido como "escândalo das vassouras". O caso, que ganhou repercussão nacional, passou a ser investigado em agosto de 2013, após denúncia do vereador Danty Benedito (PMN), que noticiou a compra de 4,2 mil vassouras, 2,5 mil quilos de sabão em pó, 33 mil unidades de palha de aço, dentre outros itens, pelo então presidente da Câmara, Antônio de Lunga.

Além dos dois parlamentares, Cícero Jadson Pereira Maia, Marcos Raniere Parente, Silvano Alves de Sousa, Herbete de Morais Bezerra e José João Alves de Almeida, o Lunga, também foram apontados como participantes dos supostos crimes.

Afastamento

No final de junho deste ano, a juíza da 3ª Vara Cível de Juazeiro do Norte, Samara de Almeida Cabral, determinou a prorrogação do afastamento dos dois vereadores por mais 180 dias. Em sua decisão, a magistrada pontua que "no caso dos autos, os agentes políticos citados já foram afastados por duas vezes, tendo, inclusive, o Tribunal de Justiça confirmado a decisão monocrática, argumentando que os indícios de prática de atos de improbidade administrativa são fortíssimos e o Judiciário não pode coadunar com essa conduta, sob pena de ver a impunidade triunfar".

Ela também pontua que "o processo diante de sua complexidade documental e do número de réus ainda não pode ser sentenciado, todavia constam nos documentos anexados provas de que Antonio e Ronaldo, atuais vereadores, juntamente com outras pessoas, maioria empresários, utilizavam de notas frias para desviaram dinheiro da Câmara desse Município".

Fraude

O Ministério Público ressalta que há, nos autos, diversas informações que denotam que na gestão do ex-presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, Antônio Alves de Almeida, e do ex-tesoureiro da Casa, Ronaldo Gomes Lira, verificou-se caos administrativo, falsas aquisições exorbitantes de mercadorias, empresas de fachadas que se utilizavam de "laranjas", mercadorias vencidas ou fabricadas após as denúncias dos fatos, além de quantidade exorbitante de materiais para serem utilizados por uma única faxineira/zeladora.

Há nos autos, ainda, uma informação técnica do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM) que diz: "Constatou-se também que foram realizados saques diretamente no caixa da instituição bancária da referida conta, através de cheques emitidos e de transferências bancárias no montante de R$ 1.533.544,21 sem que as desti-nações desses recursos tenham sido informadas no Sistema de Informações Municipais - SIM".

18 de OUT de 2016 às 07:29:01
Fonte: Diário do Nordeste