Uma portaria publicada no "Diário Oficial da
União" desta segunda-feira (30) e assinada pelos presidentes dos tribunais
superiores informa que o bloqueio de R$ 1,7 bilhão determinado pelo Executivo
no orçamento do Judiciário vai "inviabilizar" as eleições de 2016 por
meio eletrônico.
Em nota divulgada nesta segunda, o TSE ressaltou
que o contingenciamento de R$ 428.739.416 do orçamento da Justiça Eleitoral
para 2016 "compromete severamente" projetos do próprio tribunal e dos
Tribunais Regionais.
De acordo com o tribunal eleitoral, o maior impacto
do bloqueio do dinheiro reservado à Justiça Eleitoral é comprometer o processo
de aquisição de urnas eletrônicas que já está licitado.
O TSE afirma, em trecho do comunicado, que é
imprescindível contratar as urnas eletrônicas até o fim do mês de dezembro, com
o comprometimento de uma despesa estimada em R$ 200 milhões.
"O contingenciamento imposto à Justiça
Eleitoral inviabilizará as eleições de 2016 por meio eletrônico", diz o
texto publicado.
"A demora ou a não conclusão do procedimento
licitatório causará dano irreversível e irreparável à Justiça Eleitoral. As
urnas que estão sendo licitadas têm prazo certo e improrrogável para que
estejam em produção nos cartórios eleitorais", complementou o TSE na nota.
O tribunal eleitoral não disse abertamente, mas a
consequência que pode ocorrer com a eventual inviabilização das eleições
eletrônicas no ano que vem seria a Justiça Eleitoral ter de recorrer às urnas
de lona e às cédulas de papel.
Ao final do comunicado divulgado nesta segunda, o
TSE afirma que o presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli, irá, em
conjunto com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski,
fazer "todos os esforços" no Congresso Nacional para que o dinheiro
reservado ao Judiciário seja autorizado, "a fim de se garantir a
normalidade das eleições do ano que vem".