Hoje acontecerá o evento
católico anual "Caminhada com Maria", onde são esperadas mais de dois
milhões de pessoas. Como tem ocorrido nos últimos anos, candidatos a prefeito e
vereador de Fortaleza devem comparecer à manifestação religiosa, visto o grande
número de eleitores em potencial concentrados em um só local.
O voto do
eleitorado mais ligado à Igreja, seja ela católica ou evangélica, deve ser o
mais disputado pelos postulantes ao pleito de outubro próximo, conforme avaliam
parlamentares cearenses entrevistados pelo ao Diário do Nordeste.
Deputada da bancada
religiosa na Assembleia Legislativa do Ceará, Silvana Oliveira (PMDB) afirmou
que o voto evangélico será significativo como nunca antes na história das
eleições na Capital. Segundo ela, as pessoas estão sem opções para votar e
encontram nas figuras políticas evangélicas e nos policiais um norte, visto que
em sua opinião, são candidatos com imagem de possuir bom caráter, serem
cumpridores de seus deveres e que trabalham em defesa da moral e dos bons
costumes. "Eu tenho certeza que quem apresentar propostas para esses
segmentos terá maiores chances", projeta.
Nos últimos anos
houve um crescimento de religiosos na política local, estadual, nacional e
internacional, como explicou o deputado José Sarto (PDT).
Na visão do parlamentar
a influência da religião tem aumentado muito nas últimas eleições,
principalmente, por conta da crise de representatividade de partidos e governos
de esquerda com pensamentos mais liberais. De acordo com ele, nos Estados
Unidos, por exemplo, o Partido Republicano tem se destacado nas eleições desse
ano com um pensamento mais alinhado às ideias da igreja protestante
conservadora. "Há uma ascensão violenta da religião de maneira protocolar,
pois existem partidos que são religiosos transportando para a política a
ideologia religiosa, que deveria ser algo pessoal", defendeu Sarto.
Os parlamentares,
no entanto, concordam que esse alinhamento de políticos e eleitores com ideais
religiosos se dão por conta do "apodrecimento das estruturas
partidárias", da corrupção, que faz com que partidos políticos religiosos
surjam como salvadores da pátria.
"Isso é ruim
porque vai levar as pessoas a acreditarem em uma coisa que é irreal. Nesse ano
haverá muita influência religiosa no pleito, seja no catolicismo, no protestantismo
e no neo-protestantismo", disse.
Sarto afirmou, no
entanto, que o voto religioso vai se refletir com mais força nas casas
legislativas, onde vereadores mais ligados a determinadas igrejas devem ser
eleitos. "Para o Executivo quando o debate começar a se aprofundar, acho
que as pessoas vão entender mais e fazer a diferenciação", avalia.
Representante do
movimento católico na Assembleia, Walter Cavalcante (PP), afirmou que a Igreja
sempre influenciou nas escolhas de determinados nomes para os legislativos e
também para o Executivo. Ele disse, contudo, ser contrário ao fato de líderes
religiosos indicarem nomes para os pleitos. "No momento da 'Caminhada com
Maria', por exemplo, muitos candidatos vão. Mas não acho que seja louvável
utilizar o evento para fazer campanha política".
Neste ano, a
'Caminhada Com Maria' ocorre um dia antes do início das campanhas eleitorais,
que acontecerão a partir de amanhã. Portanto, os candidatos estão proibidos de
fazer campanha durante o evento. Cavalcante explicou, porém, que Roberto
Cláudio foi convidado para participar ma manifestação religiosa visto que é o
atual prefeito da cidade. O gestor deve comemorar seu aniversário também
durante a 'Caminhada'. "As eleições deste ano vão mostrar que o povo quer
mudança. Se o candidato tiver ação voltada para sua convicção religiosa,
defendendo sua igreja por convicção, acho que terá muitas chances",
analisou o pepista.
'Universal'
Danniel Oliveira
(PMDB) ressaltou que pelo fato de terem uma ligação forte com seus fieis, os
candidatos religiosos vão influenciar na hora do voto.
Ele destacou ainda
que o deputado federal Ronaldo Martins, do PRB, que é pastor, poderá ter uma
vantagem sobre os demais, visto que a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd
ou, simplesmente, 'Universal'), tem forte presença na Capital e deve
influenciar o voto de seus fieis.
"O pastor
Ronaldo Martins tem votos que nascem dentro do público da igreja. No mais, será
um trabalho feito por ele para televisão a fim de se apresentar para o restante
do eleitorado da cidade", afirmou Oliveira.
Já para Roberto
Mesquita (PSD), o segmento religioso, a cada pleito, apresenta mais candidatos
que defendem suas bandeiras, como criminalização do aborto e posicionamentos
contrários à união de pessoas do mesmo sexo, mas ele pondera que "não há
nenhuma dessas igrejas com poder de arregimentação tão grande como a
Universal".