Prefeitos das
principais cidades do País avisaram, nessa quinta-feira (22/10), a presidente
Dilma Rousseff que estão dispostos a colaborar com a aprovação da nova CPMF no
Congresso desde que os recursos sejam repartidos entre municípios, Estados e
União e destinados à Saúde.
O encontro, que
reuniu representantes das entidades que representam os municípios, teve a
participação do Presidente da Associação dos Prefeitos do Ceará (Aprece),
Expedito Nascimento. Expedito defende a CPMF como um dos caminhos para diminuir
o impacto da crise econômica que abala os cofres das prefeituras.
A proposta que o
governo enviou ao Congresso Nacional fala em uma alíquota de 0,20%
exclusivamente para a União e que o dinheiro arrecadado, cerca de R$ 32
bilhões, seria usado para cobrir o rombo da Previdência Social.
A ideia para
contemplar os demais entes federativos é que a alíquota passe para 0,38%, mas
não há consenso de como esse valor seria dividido entre as três partes
interessadas. O governo também já avisou que não vai abrir mão de destinar os
recursos que lhe cabem à Previdência.
Dilma passou o dia
em negociação com três entidades que representam municípios de todo o País.
Diante dos impasses, porém, uma nova rodada de conversa foi marcada para a
próxima terça-feira. A Frente Nacional dos Prefeitos, que reúne prefeitos de
cidades com mais de 200 mil habitantes, foi a que se mostrou mais irredutível na
discussão.
O presidente da
FNP, Marcio Lacerda (PSB), que é prefeito de Belo Horizonte, disse que eles só
irão apoiar o novo tributo se os recursos forem destinados exclusivamente para
a Saúde. Segundo ele, como o governo federal cortou o orçamento da área para
este ano, a situação já está crítica em muitos municípios. “Qualquer imposto
novo que seja criado poderia contar com nosso apoio se os recursos fossem
destinados à Saúde. Nós estaríamos dispostos a apelar ao Congresso, desde que
venha resolver a crise que temos instaurada hoje no atendimento à Saúde”,
afirmou.
Segundo Lacerda, se
os recursos forem destinados para a área seria mais fácil sensibilizar
deputados e senadores e convencê-los a votar a favor da volta da CPMF.
Divisão
Os prefeitos da FNP
também defendem uma parcela maior da alíquota para os municípios. A divisão dos
0,38% seria de 0,17% para a União, 0,12% para os municípios e 0,09% para os
Estados.
Já os
representantes das duas outras entidades que estiveram com a presidente ontem,
a Confederação Nacional dos Municípios e da Associação Brasileira de
Municípios, defendem a proposta que já conta com o apoio dos governadores, de
deixar a União com 0,20% e dividir os outros 1,8% igualmente entre Estados e
municípios.
As duas associações
também querem que os recursos sejam empregados em Saúde, mas aceitam a proposta
do governo de investir o que for arrecadado em “seguridade social”. Assim, a
União poderia destinar os seus recursos para Previdência e Estados e municípios
em Saúde.“A presidente insistiu que o problema central do governo é com a
Previdência, mas nós chegamos a um bom entendimento de constar que vá para a
seguridade social, ou seja, o ente federativo que achar que é importante gastar
com Previdência, pode gastar, quem achar que é importante gastar com Saúde,
pode gastar. Isso contempla a necessidade dos municípios”, disse Eduardo Tadeu
Pereira, presidente da ABM.
Abertura
Apesar do impasse,
o governo sabe que precisa do apoio dos prefeitos e dos governadores para
conseguir fazer o projeto avançar no Congresso. Ontem, o ministro Ricardo
Berzoini (Secretaria do Governo) afirmou que o Palácio do Planalto estava
disposto a negociar. “Nós contamos com essa articulação para que possamos ter
um processo mais rápido e ter uma tramitação que assegure o mais cedo possível
esses recursos para municípios, Estados e União”, disse.