Incomodados com os
primeiros movimentos do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, movimentos
populares, partidos políticos e entidades sindicais que foram às ruas em defesa
do mandato da presidente Dilma Rousseff decidiram colocar a reforma da Previdência
proposta pelo governo no alvo das próximas manifestações.
Em reunião
realizada segunda-feira, em São Paulo, os grupos que integram a Frente Brasil
Popular decidiram fazer um grande ato contra o impeachment de Dilma na segunda
quinzena de março e incluir o descontentamento em relação à reforma da
Previdência na pauta de reivindicações que terá ainda a rejeição ao afastamento
da presidente e ao ajuste fiscal e a saída do presidente da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ).
A proposta de
reforma da Previdência que aumenta a idade mínima para aposentadoria foi alvo
de críticas duras, principalmente por parte da Central Única dos Trabalhadores
(CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Segundo relatos, o
líder sem-terra João Pedro Stédile teria dito que a proposta “é o limite” do
apoio do movimento à presidente. Para Stédile, o aumento da idade para
aposentadoria teria efeitos especialmente negativos nas zonas rurais. Ele não
foi encontrado realizada nessa quarta-feira.
Já a CUT tem
manifestado publicamente a contrariedade em relação à reforma desde o início do
ano. “Depois da saída do (Joaquim) Levy todo mundo esperava uma guinada que
reconectasse o governo com as bases que o elegeram em 2014. Mas o governo
colocou um óbice”, disse Julio Turra, diretor executivo da CUT.
‘Tendência suicida’
Na reunião de
segunda-feira sobraram críticas ao governo. Segundo participantes, Dilma não
soube aproveitar notícias positivas do fim do ano passado como a força das
manifestações anti-impeachment, a aprovação do Orçamento para 2016, o pagamento
das chamadas pedaladas fiscais e as decisões do Supremo Tribunal Federal contra
o rito de afastamento proposto por Cunha.
“Parece que este
governo tem uma tendência suicida. Não aproveita as oportunidades”, disse
Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP).
Formada por 52
entidades, entre elas PT, PC do B, CUT, MST, CMP e União Nacional de Estudantes
(UNE), a Frente Brasil Popular foi responsável, ao lado de outros grupos, por levar
50 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, à Avenida Paulista, no dia 16 de
dezembro, em um ato contra o impeachment de Dilma. Ontem, a Frente começou a
traçar o cronograma para 2016. A ideia é fazer um grande ato na segunda
quinzena de março para dar uma resposta nas ruas às manifestações em defesa do
impeachment, marcadas para o dia 13 de março.