A Polícia Federal cumpriu na manhã desta
quinta-feira (10) um mandado de busca e apreensão da 36ª fase da Operação Lava Jato na cidade de Jaguaruana, a 183 km de Fortaleza.
Policiais federais estiveram em um escritório da EIT - Empresa Industrial
Técnica S/A, do setor de construção, localizada no Bairro Juazeiro.
Os policiais chegaram ao escritório em dois carros
por volta de 6 horas, conforme moradores da região, e depois deixaram a cidade.
O G1 entrou em contato com o escritório da empresa em Fortaleza, mas
ninguém foi localizado para comentar o assunto. O escritório em Jaguaruanatambém
foi contactado, mas as ligações não foram atendidas. Conforme o site da EIT, a
empresa está presente também em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte,
Brasília, Salvador, Recife, Natal e São Luís.
Operação
Dragão
A operação também ocorre nos estados do Paraná e São Paulo. A ação foi batizada
de Operação Dragão e cumpre 18 mandados judiciais, sendo 16 de busca e
apreensão e dois de prisão preventiva.
O empresário e lobista Adir Assad, que já está
preso na carceragem da PF, em Curitiba, é um dos alvos dos mandados de prisão.
O outro é o advogado Rodrigo Tacla Duran, segundo o Ministério Público Federal
(MPF). Ele está no exterior e não havia sido preso até a tarde desta
quinta-feira 910). Segundo o MPF, a dupla é responsável pela lavagem de
dinheiro.
Os mandados de busca estão sendo cumpridos em Jaguaruana, no Ceará; Barueri,
Santana de Parnaíba e capital de São Paulo; e em Curitiba e em Londrina, no
Paraná.
Segundo a PF, um dos mandados de busca está sendo
cumprido na Concessionária Econorte, em Londrina; e outro, em Curitiba, na
Construtora Triunfo.
O G1 tenta
contato com as defesas das empresas envolvidas.
Adir Assad foi condenado na Lava Jato a 9 anos e 10
meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ele foi preso
pela primeira vez na operação em março de 2015, na 10ª fase. No entanto, em
dezembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu prisão
domiciliar a ele. Posteriormente, no dia 19 de
agosto deste ano, o juiz Sérgio Moro determinou que Adir Assad voltasse à
prisão.
O outro
lado
O advogado de Assad, Miguel Pereira Neto, disse que vai se pronunciar sobre o
caso mais tarde.
"Nós estamos na fase de ciência do caso, de
tomar conhecimento. Foi mandado não só de prisão, mas também de busca e
apreensão. Então, na verdade, nós teremos condições de nos manifestar de
maneira mais eficaz quando tomarmos conhecimento pleno do processo",
disse.
A UTC informou que não comenta investigações em
andamento; e a Odebrecht, que não está comentando o assunto.
O G1 tenta contato com a defesa de Rodrigo Tacla e dos
demais envolvidos.
Investigações
Conforme a PF, a atual fase investiga dois operadores financeiros responsáveis
pela movimentação de recursos de origem ilegal, principalmente oriundos de
relações criminosas entre empreiteiras e empresas sediadas no Brasil com
executivos e funcionários da Petrobras. Entre os crimes investigados estão
corrupção, manutenção não declarada de valores no exterior e lavagem de
dinheiro.
Segundo o MPF, as investigações apontaram diversas evidências de que os
operadores usaram mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro, entre eles o
uso de contas bancárias em nome de offshores no exterior, a interposição de
empresas de fachada e a celebração de contratos falsos.
Rodrigo Tacla Duran foi responsável por lavar dezenas de milhões de reais por
intermédio de pessoas jurídicas por ele controladas, ainda de acordo com os
procuradores.
"Diversos envolvidos no caso valeram-se dessas empresas a fim de gerar
recursos para realizar pagamentos de propina, como a UTC Engenharia e a Mendes
Júnior Trading Engenharia, que repassaram, respectivamente, R$ 9.104.000,00 e
R$ 25.500.000,00 ao operador financeiro entre 2011 e 2013. No mesmo período,
outras empresas contratadas pela administração pública também realizaram
depósitos de mais de R$ 18 milhões com o mesmo destino", disse o MPF.
As investigações da força-tarefa da Lava Jato também comprovaram que Adir Assad
repassou R$ 24.310.320,37 para Rodrigo Tacla Duran. "No mesmo sentido,
empresas ligadas a outro operador, Ivan Orefice Carratu, pessoa ligada a Duran,
receberam de Adir Assad a quantia de R$ 2.905.760,10", disseram os
procuradores.
O nome dado à operação "é uma referência aos registros na contabilidade de
um dos investigados que chamava de “operação dragão” os negócios fechados com
parte do grupo criminoso para disponibilizar recursos ilegais no Brasil a
partir de pagamentos realizados no exterior", disse a PF.