Depois de viverem
em um cenário de grandes expectativas para a economia do Estado, com a possível
instalação da refinaria Premium II no Complexo Industrial e Portuário do Pecém
(Cipp), os cearenses têm recebido, desde o ano passado, uma série de más
notícias. Após o cancelamento da refinaria em janeiro de 2015, a estatal
anunciou a venda para iniciativa privada de seis campos de petróleo no Estado,
além da paralisação de uma plataforma na Região.
De acordo com o
ex-presidente do Sindicato dos Petroleiros dos Estados do Ceará e Piauí
(Sindipetro CE/PI), Orismar Holanda, nove plataformas da companhia no Estado
serão vendidas, entre elas, a PXA-2, localizada no campo de Xaréu, no litoral
do município de Paracuru, no Ceará, que terá sua produção suspensa pela
Petrobras, assim como outras 24 plataformas em todo o País.
Além da PXA-2,
também estão sendo negociadas no Estado duas outras unidades no campo de Xaréu
(PXA-1 e PXA-3), três plataformas de Atum (PAT 1, PAT 2 e PAT 3), uma no campo
de Espada (PET1), além de dois equipamentos que ficam no campo de Curimã (PCR1
e PCR2).
Suspensão
A paralisação de 25
plataformas no País foi autorizada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás
Natural e Biocombustível (ANP) no último dia 4 de julho. As unidades estão
situadas nos estados do Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito
Santo. Ao todo, as plataformas com paralisação solicitada abrangem 24 campos
maduros, sendo 11 situados em terra.
"O fechamento
da PXA-2 (no Ceará) significa que a Petrobras vai continuar com um custo para
manter essa plataforma, mas não vai ter mais produção, o que é algo muito
questionável. É uma decisão técnica e financeira. Eles identificaram algumas
unidades que não possuem uma produção elevada e querem reduzir o custo
operacional (da companhia)", argumenta Orismar Holanda.
A maior parte das
áreas já integra o plano de desinvestimentos da companhia, apresentado em
março, com 104 concessões que representam 2% da produção da estatal. A ANP
também determinou que, se a empresa não conseguir vender as áreas e constatar a
"inviabilidade econômica" da produção, deverá também antecipar o
término dos contratos.
No que diz respeito
ao impacto que a paralisação da PXA-2 trará para o Estado, Holanda explica que,
do ponto de vista da produção, não deve ser muito significativo, já que este
equipamento "tem a produção relativamente pequena e as outras (plataformas)
vão continuar produzindo normalmente", ressalta.
Ainda não há data
específica para a suspensão das atividades, apesar de a Petrobras já estar
autorizada a paralisar o equipamento. Para Holanda, a medida não deverá ser
tomada tão cedo. "Não é possível paralisar imediatamente, tem que seguir
todo um rito técnico, de legislação, da ANP, da Marinha, além das próprias
normas da Petrobras. A medida deve ser tomada em um médio prazo", enfatiza
o ex-presidente da Sindipetro CE/PI.