A Justiça determinou nesta terça-feira (20) a
suspensão de novas internações em centros educativos de jovens infratores
vindos do interior e da Grande Fortaleza. A decisão é do juiz Manoel Clístenes
de Façanha Gonçalves, titular da 5ª Vara da Infância e da Juventude da Capital,
e vale por 90 dias. A determinação estabelece que podem haver internação apenas
se o caso foi analisado pela Justiça.
Segundo o Tribunal de Justiça, a medida considera o
"estado crítico e a superlotação das unidades, além da falta de estrutura
adequada". o juiz também considerou "violações de direitos
fundamentais e humanos que esses problemas trazem aos internos".
As rebeliões no centros de Fortaleza são
frequentes. Na semana passada, foram cinco movimentos de rebelião, alguns deles
com destruição de celas e compartimentos das unidades. Para o advogado do
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) Acássio Pereira, a
superlotação e a falta de atividades socioeducativas dos centros para menores
em conflito com a lei são as principais causas das rebeliões constantes.
"Há um cenário de colapso, com superlotação de
até 400%. Nem no sistema prisional tem esse número. Os internos não têm
atividades socioeducativas, atividades de lazer e esporte. Eles passam
praticamente 24 horas em celas lotadas. Isso forma o contexto das
rebeliões", diz o membro da Cedeca.
O magistrado determinou ainda que a Secretaria do
Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), gestora das unidades socioeducativas
de Fortaleza, envie semanalmente todas as informações de internação e liberação
de adolescentes das unidades de Fortaleza, divididos por idade, gênero e tipo
de medida.
A portaria recomenda, ainda que a STDS apresente,
em até 90 dias, um plano de ação para garantir as obrigações dispostas no
artigo 94 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Também estabelece a
criação de uma comissão vinculada ao Juízo, com a finalidade de, semanalmente,
visitar e inspecionar as unidades de internação. A comissão será formada por
integrantes do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Fórum
DCA e outras entidades representativas.