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O cenário da
estiagem é cada vez mais grave no Ceará. Tanto que o nível seca excepcional, o
grau de maior severidade, já atinge 55% do território cearense. Os dados são do
Monitor de Secas do Nordeste, mapa atualizado relativo a outubro, elaborado
pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O Mapa
indica que 100% do Estado está afetado em categorias grave, extremo e máximo,
Só para se ter
ideia da magnitude do problema, em setembro, a seca já atingia a totalidade do
Ceará, no entanto, parte da região Nordeste apresentava grau moderado. Agora, o
quadro piorou e o mesmo espaço enfrenta seca grave. A falta de chuvas, aponta o
mapa, abrange inclusive toda faixa litorânea, sendo de Fortaleza em direção às
praias do litoral leste já com grau extremo. "É uma conjuntura complicada",
reconhece o meteorologista da Funceme, Raul Fritz.
Ele destaca que o
avanço da seca no Nordeste já era esperado porque, historicamente, a
distribuição mensal de chuva no mês de outubro na maior parte da região é
inferior a 75mm. "Em algumas áreas, como no norte do Maranhão,
centro-norte do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco,
Alagoas, Sergipe e no extremo norte da Bahia, os índices pluviométricos são
inferiores a 25mm. Sendo a pior situação a de Pernambuco, onde 90% do
território registra nível excepcional".
Fritz indica que
serão necessários dois meses de chuvas ininterruptas, pelo menos dentro da
média histórica de 200 mm/mês, somando no bimestre 450mm, para que o Ceará
consiga alcançar o chamado nível de segurança hídrica. Por enquanto, não existe
definição de como será a quadra chuvosa do Estado, entre fevereiro e maio.
O El Niño, garante,
está descartado; entretanto, La Ninã ainda se apresenta fraca mas, mesmo assim,
se essa condição perdurasse até fevereiro/março, ajudaria bastante.
"Porém, pelo observado até agora, há uma maior probabilidade de
neutralidade no Oceano Pacífico, o que não é de todo ruim, pois isso indica
qualquer situação abaixo, na média ou até acima de média. Nossas esperanças se
voltam também para o Atlântico. Vamos aguardar até janeiro para ter melhor
avaliação".
Irregularidade
Fritz acrescenta
que um dos problemas observados no Ceará é que as precipitações são
irregulares, ou seja, chove bem em uma região e em outra não. "No
Castanhão, por exemplo, é pior em comparação com a Ibiapaba. Isso sem falar que
o solo está saturado. É preciso chover bem para a água infiltrar no solo e
assim poder escorrer em direção aos rios e outros mananciais".