Um juiz do Ceará foi aposentado nesta quinta-feira
(18) por conduzir audiências sob o efeito de álcool e portando arma de fogo. A
decisão, do Pleno do Tribunal de Justiça do Ceará, foi unâmime a favor da
aposentadoria compulsória do magistrado.
A sessão foi conduzida pela presidente da Corte,
desembargadora Iracema Vale, que também foi a relatora do caso. De acordo com a
Corte, o juiz “desconsiderou conduta irrepreensível na vida pública e
particular".
Segundo o relatório do Procedimento Administrativo, representantes do
Ministério Público do Ceará (MPCE), da Defensoria Pública e servidores
informaram em 2011 que o magistrado estava conduzindo audiências sob efeito de
bebida alcoólica, portando arma de fogo e utilizando palavras desrespeitosas
com funcionários do fórum, assessores, advogados, defensores e com o público em
geral. Na época, o juiz atuava pela 2ª Vara da Infância e da Juventude de
Fortaleza.
Em outubro de 2011, a Corregedoria Geral da Justiça
instalou sindicância para apurar o caso. Na ocasião, foi determinado o
afastamento imediato do magistrado. Durante o período de apuração, foram
realizadas duas avaliações médicas, atestando que ele é portador de transtorno
afetivo bipolar.
Em defesa, o juiz alegou que na época havia realizado cirurgia bariátrica e
estava tomando medicamentos que alteraram o estado psicológico. Também
argumentou que atualmente está em tratamento médico e que a doença (transtorno
bipolar) encontra-se estabilizada e em estado de remissão.
A desembargadora Iracema Vale destacou que não existe garantia de que as
manifestações não retornariam, de acordo com as avaliações efetuadas pelas
juntas médicas. Ressaltou ainda que a atividade jurisdicional não está imune ao
estresse.
“Reconheço que o magistrado é portador de transtorno afetivo bipolar grave. Tal
enfermidade é recorrente, não podendo se correr o risco que os fatos que deram
origem a esse procedimento não só se repitam, como restem agravados”, disse a
relatora.